Governo aumenta oferta de vacinas e cutuca “negacionista” Trump
Parte do investimento federal virá por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC); ministro da Saúde cutuca presidente americano
O governo federal anunciou na segunda-feira, 9 de fevereiro, um pacote de R$ 1,8 bilhão para expandir a capacidade produtiva do Instituto Butantan, em São Paulo. Do montante, R$ 1,4 bilhão será transferido pelo novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), enquanto o restante virá de recursos próprios da instituição paulista.
A cerimônia de assinatura das ordens de serviço aconteceu na capital, com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento marcou também o início da vacinação contra dengue para profissionais de saúde e voluntários que participaram dos testes do imunizante Butantan-DV.
Foco em tecnologia de RNA mensageiro
Entre as prioridades do investimento está a construção de uma unidade para desenvolvimento de vacinas de RNA mensageiro, que receberá R$ 76,1 milhões do Ministério da Saúde. A plataforma terá capacidade para produzir 15 milhões de doses e será utilizada inicialmente para imunizantes contra covid-19 e raiva.
Segundo o diretor do Butantan, Esper Kallás, a previsão é concluir a obra em cerca de um ano: “Ela acomodará a vacina contra a covid-19 (fruto de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo com a Moderna) e o Butantan tem a ambição de ser um dos principais centros de desenvolvimento dessa tecnologia, não apenas para vacinas, mas para diversas áreas, incluindo a produção de resposta imune para o enfrentamento do câncer”.
Padilha relacionou o investimento à política adotada pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos. “Hoje, Trump lidera um governo antivacina e negacionista, a ponto de ter feito algo que eu nunca imaginei que iria ver nos Estados Unidos”, disse o ministro, citando o cancelamento de contratos para pesquisa de vacinas de mRNA.
O ministro informou que pesquisadores norte-americanos afetados por cortes de verbas já colaboram com o Butantan, a Fiocruz e universidades brasileiras.
Produção nacional de vacina contra HPV
Outro projeto contemplado pelo pacote é a construção de uma fábrica para produção do Insumo Farmacêutico Ativo da vacina contra o papilomavírus humano, com aporte de R$ 495,9 milhões. A unidade terá capacidade para fabricar 20 milhões de doses anuais.
O imunizante protege contra os tipos mais frequentes do HPV, vírus associado ao câncer de colo do útero e a tumores de vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe. O Sistema Único de Saúde oferece atualmente a versão quadrivalente para crianças, adolescentes e grupos prioritários.
Ampliação de soros e vacina tríplice
Os investimentos também contemplam R$ 550,7 milhões para reforma da unidade que produz a vacina DTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche. Outros R$ 232,5 milhões serão destinados à expansão da produção de soros.
Com as obras, a capacidade anual de fabricação de soros aumentará de 600 mil para 1,2 milhão de frascos. A nova área de envase e liofilização permitirá processar 5,2 milhões de frascos em forma líquida e 7,1 milhões de doses liofilizadas por ano.
Durante o evento, Lula destacou a dificuldade de recuperar a confiança da população nas vacinas: “Vai ser difícil convencer a sociedade a voltar a tomar vacina como antigamente, mas temos que (tentar) até que a gente convença as pessoas de que tomar a vacina significa evitar a possibilidade de que, em algum momento, a natureza possa atrapalhar a vida”, declarou.
Kallás falou sobre a importância dos imunizantes para a saúde pública: “A vacina é uma das principais armas de redução da desigualdade. A estimativa é que no mínimo 6 milhões de crianças e outras pessoas imunodeficientes morreriam todo ano não fossem as vacinas”.
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