Governistas vão a Washington contestar lista antiterrorismo
Comitiva busca aliados do Partido Democrata, oposição ao governo Trump, com o objetivo de reverter classificação americana do PCC e CV
Quatro deputados federais da base governista desembarcaram em Washington nesta quarta-feira, 3, para uma missão diplomática não oficial: convencer parlamentares do Partido Democrata a pressionar o governo Trump a recuar da classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A delegação permanecerá nos Estados Unidos até sexta-feira, 5, e não prevê encontrar com representantes republicanos ou da Casa Branca.
Negociando com o inimigo
A decisão de restringir os contatos ao campo democrata, oposição ao governo Trump, inviabiliza qualquer tentativa de influenciar a posição oficial de Washington. Sem interlocução com o partido no poder, as conversas terão peso “simbólico”, se tanto, mas alcance institucional nulo.
O grupo carrega um documento com dez propostas de cooperação bilateral no enfrentamento ao crime organizado, entre elas a criação de um grupo de trabalho conjunto com a Polícia Federal, o FBI e o Departamento de Justiça americano, além de um canal permanente de inteligência financeira e equipes conjuntas de investigação.
A agenda também inclui reuniões com representantes da Organização dos Estados Americanos e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Lulistas fazendo intercâmbio
Segundo o Estadão, o texto apresentado aos interlocutores americanos afirma que “a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas por decisão unilateral estrangeira cria risco de distorção política, efeitos extraterritoriais indevidos e tensionamento da soberania nacional”.
O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), um dos integrantes da comitiva, definiu os limites da iniciativa: “Estamos aqui neste termo de cooperação colocando o que o governo brasileiro pretende. É o intercâmbio que queremos. Não interferência direta dos Estados Unidos, dizendo o que não podemos ou não fazer”.
O argumento brasileiro (ou governista)
Entre as propostas, destaca-se uma de caráter mais direto aos americanos: a exigência de que o próprio governo dos Estados Unidos adote medidas internas para reduzir o tráfico de armas em direção ao Brasil, conter a demanda doméstica por drogas e fiscalizar operações de lavagem de dinheiro em seu sistema financeiro. A lista ainda inclui uma agenda voltada ao crime na Amazônia, ações contra o tráfico de pessoas e um mecanismo periódico de prestação de contas entre os dois países.
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