Gonet não ficou satisfeito com as conclusões da PF sobre Bolsonaro?
Ao denunciar o ex-presidente, o procurador-geral da República fez conclusões sobre a trama golpista que foram além das realizadas pela Polícia Federal
Ao denunciar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais 33 pessoas pela trama golpista, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fez conclusões sobre o caso que foram além das realizadas pela Polícia Federal.
Além dos crimes de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa, Bolsonaro foi denunciado por danos contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado, em decorrência da invasão dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
A PGR também afirmou que o ex-presidente concordou com o plano para “neutralizar” o presidente Lula (PT), o vice Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Como apontou a Folha de S.Paulo, os crimes pelo 8 de janeiro não constam no indiciamento da PF. O relatório final também não diz que o ex-presidente concordou com o plano de assassinato.
Em que Gonet se baseou?
Para sustentar suas conclusões, o procurador-geral da República citou mensagens de WhatsApp.
Além de não conclusivas, elas podem ter interpretações diversas da apresentada na denúncia.
Ao relacionar Bolsonaro aos atos de 8 de janeiro, Gonet citou uma mensagem enviada pelo major da Aeronáutica Maurício Pazini Brandão em 2 de janeiro de 2023 que diz:
“O plano foi complementado com as contribuições de sua equipe. Aguardamos na esperança de que será implementado. Bom dia. A ‘minha tropa’ (hehehehe) continua com ‘sangue nos olhos’… Bom dia. Feliz Ano Novo. Conversa hoje com o Amir. Desmobilizamos a tropa ou permanecemos em alerta?”
Todavia, não há indicação de que Bolsonaro respondeu a mensagem do militar.
8 de janeiro
Para Gonet, o 8 de janeiro foi um episódio “fomentado e facilitado pela organização denunciada, que assim, por mais essa causa, deve ser responsabilizada”.
Na denúncia, o PGR apresentou mensagens do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, para indicar que alguma coisa estava para acontecer, embora o militar tenha negado a relação no último depoimento prestado.
“Ministro, o dia 8 foi uma surpresa para todo mundo. Os militares estavam de férias”, disse Mauro Cid a Moraes.
O plano para “neutralizar” Lula
Ao dizer que Bolsonaro ‘anuiu’ com o plano para “neutralizar” autoridades, Gonet mencionou uma mensagem enviada pelo general da reserva Mario Fernandes —então número 2 da Secretaria-Geral da Presidência— a Cid.
Na conversa, o general disse que “qualquer ação” do grupo poderia acontecer até 31 de dezembro.
Segundo a PF, Bolsonaro tomou ciência do plano. A organização, no entanto, não garantiu que o ex-presidente tenha dado anuência a ele.
Leia também: Como a PGR enquadrou Jair Bolsonaro na trama golpista
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Comentários (1)
Denise Pereira da Silva
20.02.2025 10:36A PGR e o STF vão aproveitar qualquer brecha nas conversas para serem criativos. As falas públicas tresloucadas do mito amarelão servirão de embasamento para muita criatividade. Pobre Brasil. Será que um dia teremos capacidade de nos livrarmos de governantes como Lula e Bolsonaro?