Glesi não construiu alianças nem na Câmara, diz Bia Kicis
"A nomeação de Gleisi Hoffmann como ministra de Lula mostra o desprezo do governo pela ética e pelo diálogo", afirmou a deputada a O Antagonista
A oposição na Câmara dos Deputados aponta para um perfil pouco conciliador por parte da presidente do PT, Gleisi Hoffman, nomeada para a Secretaria de Relações Institucionais,em substituição à Alexandre Padilha, que asume o ministério da Saúde.
Em entrevista a O Antagonista, a deputada Bia Kicis (PL-DF) criticou a decisão do Planalto.
“A nomeação de Gleisi Hoffmann como ministra de Lula mostra o desprezo do governo pela ética e pelo diálogo. Ela sempre teve uma postura hostil e não conseguiu construir alianças nem na própria Câmara”, afirmou.
E acrescentou: “Agora, assume a articulação política de um governo que não quer negociar de verdade, mas sim impor sua vontade. Em vez de buscar cooperação, a estratégia é pressão e controle sobre o Congresso”.
‘Perfil radical’
A Liderança da Oposição na Câmara dos Deputados, comandada pelo deputado Luciano Zucco (PL-RS), divulgou uma nota manifestando-se contrária à escolha do presidente Lula pela nomeação da deputada Gleisi Hoffmann para a Secretaria de Relações Institucionais. Para o colegiado, a escolha da presidente do PT dificultará ainda mais a relação entre o Congresso Nacional e o governo.
“A nomeação da deputada federal Gleisi Hoffmann para comandar a articulação política do governo é mais um sinal preocupante do caminho que o país está trilhando sob a atual gestão.O governo, que já enfrenta uma crise de credibilidade, opta por colocar à frente do diálogo com o Congresso uma figura cuja trajetória política é marcada por conflitos, radicalização ideológica e dificuldades na construção de consensos”, diz a nota enviada à imprensa.
E acrescenta: “O Brasil precisa de uma articulação baseada no respeito às instituições, na transparência e na busca por soluções concretas para os desafios nacionais. No entanto, a escolha de Gleisi Hoffmann demonstra que o governo continua priorizando interesses partidários em detrimento do bem comum”.
A nota ainda ironiza que as escolhas do governo podem culminar na indicação da primeira-dama Janja “À frente da Casa Civil”.
Gleisi x Lira
Um dos episódios que evidencia as tensões que envolvem Gleisi Hoffmann no Congresso são as polêmicas em que a deputada se envolveu com o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira.
Em agosto de 2023, Gleisi criticou Lira pela resistência às mudanças feitas pelo Senado no arcabouço fiscal e por sua oposição a uma medida provisória que tratava da taxação de fundos offshore. Ela acusou Lira de travar uma “queda de braço com o governo” e defendeu a urgência de priorizar os interesses do país.
“Presidente (da Câmara) Arthur Lira precisa entender que a taxação dos fundos de brasileiros nos paraísos fiscais e os aperfeiçoamentos que o Senado fez no arcabouço fiscal interessam acima de tudo ao país”, completou a presidente do PT nas redes sociais.
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