Gleisi afaga Motta antes de votação sobre IOF na Câmara
Sem trânsito com deputados, governistas se penduram no presidente da Câmara para tentar evitar derrota em sua política de aumentar impostos
Em meio aos esforços do governo Lula para evitar a derrubada do decreto que elevou alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (foto), fez elogios públicos ao presidente da Câmara.
Hugo Motta (Republicanos-PB) é o responsável por pautar a urgência do Projeto de Decreto Legislativo apresentado para derrubar o aumento do IOF.
A ministra do governo Lula foi bem mais agradável com o presidente da Câmara do que com os deputados, a quem se dirigiu em tom bem mais impositivo em entrevista publicada pelo Valor nesta segunda-feira, 16.
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“O relacionamento do presidente Hugo Motta com o governo do presidente Lula tem se caracterizado por responsabilidade e firmeza nos encaminhamentos acordados em comum. No comando da Câmara, trouxe previsibilidade na pauta legislativa, sempre fruto do colégio de líderes, que expressa manifestações dos parlamentares. Tratamos às claras dos interesses do país e isso tem sido fundamental para a tramitação das propostas do governo no Legislativo”, disse Gleisi em seu perfil no X.
“Atuação firme e institucional”
Líder o PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ) engrossou o coro, também em seu perfil no X:
“Diante de críticas infundadas, é preciso reconhecer a atuação firme e institucional do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Sua condução do Plenário tem se pautado pela legalidade, pelo respeito à autonomia do Legislativo e pelo compromisso com a estabilidade democrática.
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Hugo Motta tem exercido sua função com equilíbrio, serenidade e diálogo — atributos fundamentais em um cenário de tensões políticas. Não cede a arroubos autoritários nem a pressões momentâneas. Sua liderança está ancorada na Constituição e na construção de consensos.
Atacar o presidente da Câmara por não adotar posturas de confronto revela incompreensão sobre o papel republicano que cabe ao Parlamento e a quem o preside. Exercer a liderança da Câmara não consiste em adotar gestos ruidosos ou espetaculares, mas em assegurar que o processo legislativo transcorra com equilíbrio, pluralidade e absoluto respeito às normas constitucionais que regem o Estado Democrático de Direito.”
A verdade é que, sem força na Câmara, os governistas estão pendurados em Motta, e dependem dele para evitar derrotas em sua política de aumentar impostos para sustentar a gastança comandada por Lula. Mas o papel do presidente da Câmara não é esse.
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