Gilson Machado é preso pela PF por suspeita de obstrução de Justiça
Segundo representação da Procuradoria-Geral da República (PGR), ele teria tentado obter um passaporte português ao tenente-coronel Mauro Cid
O ex-ministro do Turismo Gilson Machado foi preso nesta sexta-feira, 13, pela manhã suspeito de tentar interferir nas investigações no STF sobre a tentativa de golpe no país.
Segundo representação apresentada nesta semana pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Gilson teria tentado obter um passaporte português ao tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro e o principal colaborador na ação penal do golpe.
De acordo com a representação apresentada pela PGR, em 12 de maio, Gilson Machado esteve no consulado Portugal no Recife (PE) para viabilizar um passaporte para Mauro Cid. Além disso, os integrantes da PGR suspeitam que a campanha feita por Gilson Machado de arrecadação de fundos, na realidade, não iria beneficiar Jair Bolsonaro e sim a fuga de Mauro Cid.
Em depoimento prestado à Polícia Federal (PF), Jair Bolsonaro declarou na semana passada que Gilson Machado fez uma campanha de arrecadação de fundos sem a anuência do ex-presidente da República.
Ainda segundo Bolsonaro, durante essa campanha foi arrecadado aproximadamente 1 milhão de reais, mas os recursos não foram repassados a Eduardo.
“INDAGADO quem administra os valores arrecadados por meio dessas campanhas e qual a destinação exata dos recursos, respondeu QUE é o próprio declarante que administra os valores; QUE utiliza os recursos para pagar contas pessoais; QUE em algumas situações repassa valores a sua esposa MICHELE BOLSONARO; INDAGADO se há outras formas de financiamento de EDUARDO BOLSONARO e seus familiares nos Estados Unidos, e de onde provém os recursos, respondeu QUE desconhece outras formas”, descreve o termo de depoimento de Jair Bolsonaro à Polícia Federal.
Em vídeo divulgado seis dias após ter ido à embaixada, Gilson informou o CPF de Bolsonaro como chave Pix em uma conta do Banco do Brasil.
“Vocês não têm noção da nossa preocupação com as despesas, centenas e diga-se de passagem de várias origens”, disse o ex-ministro.
“O presidente recebeu na outra campanha 17 milhões de reais, mas já gastou em um ano 8 milhões, já começou a desidratar”, afirmou.