Gilmar Mendes anula quebra de sigilo de fundo ligado a resort de Toffoli

19.03.2026

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Gilmar Mendes anula quebra de sigilo de fundo ligado a resort de Toffoli

Ministro do Supremo Tribunal Federal impediu acesso a dados do Fundo Arleen, que comprou uma cota do resort de luxo no interior do Paraná

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Gilmar Mendes anula quebra de sigilo de fundo ligado a resort de Toffoli
Foto: Victor Piemonte/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, anulou a decisão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado que determinava a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Fundo Arleen, responsável por adquirir participação no resort Tayayá, no Paraná, empreendimento ligado ao ministro Dias Toffoli.

A decisão foi proferida nesta quinta-feira, 19, no âmbito de extensão de habeas corpus já concedido anteriormente pelo próprio ministro em caso semelhante. Para Gilmar, a nova investida da CPI repete, sob outra forma, uma medida já considerada inconstitucional pelo Supremo.

O que se verifica é a reiteração material de providência investigativa já reputada inconstitucional, agora dirigida a sujeito formalmente diverso, mas inserido no mesmo contexto fático-probatório anteriormente afastado”, escreveu o ministro.

Segundo ele, a atuação da comissão configura tentativa de contornar decisão judicial. Gilmar afirmou que houve uso de expediente indireto para alcançar o mesmo objetivo investigativo, o que classificou como “fraude à decisão judicial”.

Cuida-se de circunstância que denota a prática de fraude à decisão judicial, em que o órgão estatal […] passa a adotar expedientes indiretos para atingir, na prática, o mesmo objetivo”, registrou.

O ministro também apontou “desvio de finalidade qualificado”, ao afirmar que a CPI extrapolou o objeto da investigação, voltada ao crime organizado, para atingir operações empresariais sem vínculo direto com o foco da comissão.

A quebra de sigilo do Fundo Arleen havia sido aprovada após o STF já ter barrado medida semelhante direcionada à empresa Maridt Participações, ligada à família de Toffoli. A estratégia da CPI, segundo a decisão, foi acessar os dados por meio de outro ente inserido no mesmo contexto investigativo. Gilmar também criticou o procedimento adotado pelos parlamentares, destacando que a aprovação ocorreu em votação em bloco, sem análise individualizada dos requerimentos.

A quebra de sigilo não constitui ato ordinário de investigação, mas medida de caráter excepcional”, afirmou, ressaltando que esse tipo de decisão exige fundamentação específica e debate individualizado.

Na decisão, o ministro determinou a nulidade do requerimento aprovado pela CPI e ordenou que órgãos como Banco Central, Receita Federal e Coaf se abstenham de encaminhar quaisquer dados com base na medida.

O caso envolve a venda, em 2021, de participação no resort Tayayá ao Fundo Arleen, em operação estimada em cerca de R$ 20 milhões. Relatórios do Coaf citados pela CPI apontaram movimentações consideradas atípicas envolvendo pessoas ligadas ao fundo, o que motivou os pedidos de quebra de sigilo. A decisão de Gilmar Mendes reforça o embate entre o Supremo e a CPI do Crime Organizado sobre os limites das medidas investigativas e o alcance dos poderes das comissões parlamentares.

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Wilson Lima

Wilson Lima é jornalista formado pela Universidade Federal do Maranhão. Trabalhou em veículos como Agência Estado, Portal iG, Congresso em Foco, Gazeta do Povo e IstoÉ. Acompanha o poder em Brasília desde 2012, tendo participado das coberturas do julgamento do mensalão, da operação Lava Jato e do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2019, revelou a compra de lagostas por ministros do STF.

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Comentários (4)

Ana Lúcia Amaral

19.03.2026 11:01

Quero ver Gilmar anular decisões de Andre Mendonça…


Ana Lúcia Amaral

19.03.2026 11:00

Estão descarados demais.


Liana Palacios

19.03.2026 10:57

Podemos mandar fazer um carimbo de "anulado" e presentear o Gilmar.


19.03.2026 10:43

Somente limpando senado e Câmara teremos chance de impichar e limpar esses tribunais corruptos!


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