Garotinho rebate Benedita sobre prisão de Beira-Mar
O Antagonista relembra a cronologia dos fatos, enquanto ex-governadores do Rio disputam créditos em meio à guerra contra o Comando Vermelho
O ex-governador Anthony Garotinho publicou nas redes sociais um vídeo para contestar declarações da deputada federal e também ex-governadora do Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT).
Em gravação, Benedita afirmou ter sido responsável pela prisão do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, durante o período em que comandou o governo estadual, em 2002:
“Eu não posso acreditar que um governo com quatro anos não tenha condição de planejar, de ter estratégia para fazer uma intervenção dessa natureza (…). Eu fiquei nove meses como governadora do estado do Rio de Janeiro. E peguei o Fernandinho Beira-Mar, peguei a morte do Tim Lopes e também o Elias Maluco sem dar um tiro na comunidade, na mesma comunidade, no Alemão.”
Garotinho rebateu a versão e disse que a prisão ocorreu um ano antes, em 2001, quando ainda exercia o cargo de governador.
“Benedita, você sabe que quem prendeu o Fernandinho Beira-Mar fui eu, no ano de 2001. Aliás, não foi só ele. Foi toda a cúpula do Comando Vermelho no Estado do Rio de Janeiro”, disse em vídeo publicado na sexta-feira, 31.
Garotinho afirmou que a única decisão de Benedita relacionada ao caso foi a transferência do traficante de um presídio federal para o Complexo de Bangu. Segundo ele, essa medida teria provocado uma das maiores crises do sistema prisional fluminense.
“O que você fez, que criou um grande problema no Rio de Janeiro, foi transferir o Fernandinho Beira-Mar para Bangu. Ele tomou o presídio, abriu as celas e aconteceu a maior morte de criminosos, policiais e penais da história do Rio”, acrescentou.
“Ele cortou a cabeça do Uê e fez embaixadinha. Mandou queimar mais de 50 ônibus. Querer agora contar a história de que você prendeu o Fernandinho Beira-Mar?”, questionou
Ao falar dos bastidores da operação, Garotinho relatou que a prisão do traficante foi resultado de uma ação internacional articulada com o governo colombiano. Segundo ele, a primeira tentativa de captura ocorreu no Paraguai, em Pedro Juan Caballero, mas Beira-Mar conseguiu fugir.
“Na casa dele, a Polícia Civil encontrou uma foto sua ao lado de Negro Acácio, o segundo homem na hierarquia das FARC. Com isso, fui à ONU e acertei com o então presidente da Colômbia, Pastrana, uma ação conjunta para prendê-lo — o que acabou acontecendo”, disse.
A cronologia dos fatos
Fernandinho Beira-Mar, então líder do Comando Vermelho, foi preso em 21 de abril de 2001, na Colômbia.
Condenando no Brasil a 30 anos de prisão, mas foragido desde 1997, quando escapou de uma cadeia em Belo Horizonte, ele estava naquele país havia cerca de um ano, firmando parcerias com a ala das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc) liderada por Tomás Molina, vulgo Negro Acácio.
Beira-Mar, de acordo com as investigações da época, trocava armas por cocaína, e a droga era enviada ao estado do Rio de Janeiro.
Na ocasião da prisão, o governador do Rio era Anthony Garotinho (então no PSB), que havia assumido o cargo em 1 de janeiro de 1999 e só viria a oficializar sua renúncia em 5 de abril de 2002, para concorrer à presidência da República naquele ano. Ele ficaria em terceiro lugar, atrás de José Serra (PSDB), na primeira disputa presidencial vencida por Lula (PT).
Quem prendeu Beira-Mar, no entanto, foi o Exército da Colômbia, em operação comandada pelo general Enrique Mora Rangel, que, na véspera, havia prometido capturar o então traficante mais procurado do Brasil, “vivo ou morto”, em 72 horas. A busca havia começado em fevereiro de 2001, mês em que a mulher de Beira-Mar, Jaqueline Alcântara de Morais, e outros 15 alvos foram presos em local próximo à área de atuação de membros das Farc.
Beira-Mar foi deportado para o Brasil em 24 de abril de 2001, após dias de negociações entre autoridades brasileiras e colombianas.
Benedita da Silva (PT), então vice-governadora, assumiu o governo do Rio em 6 de abril de 2002. Ela já havia se tornado desafeta de Garotinho nos anos anteriores.
Quando já estava preso, Beira-Mar ainda foi acusado e condenado por liderar uma rebelião no Complexo Penitenciário de Bangu, em 11 de setembro de 2002, que terminou com a execução de rivais do Comando Vermelho.
Entre os mortos, estava Ernaldo de Medeiros, o Uê, fundador da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), que, nos anos 1990, havia sido um dos grandes traficantes do Rio que enviavam armas e drogas para os “varejistas”.
Beira-Mar negou ter comandado a chacina, assim como negava as parcerias com as Farc.
Sentenciado a mais de 300 anos de prisão, ele cumpriu pena em diversos presídios. Foi transferido, em 2019, para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte; e, em 2024, para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná, onde permanece.
Benedita perdeu a disputa eleitoral de 2002 pelo governo do Rio para Rosinha Garotinho (então no PSB), esposa de Anthony. A petista deixou, então, o cargo de governadora em janeiro de 2003 e foi nomeada ministra-chefe da Secretaria Especial de Assistência e Promoção Social no primeiro mandato de Lula.
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Comentários (2)
Antonio Carlos
01.11.2025 23:45Garotinho diz a verdade contraxa lulista ruim Benedito lembro que ela isentou Coca-Cola para imposto no RJ
Joaquim Arino Durán
01.11.2025 17:31fernandinho e garotinho, garotinho e fernandinho.