Gabinete de Mendonça nega acesso a proposta de delação de Vorcaro
Em nota, ministro do STF afirmou que "quaisquer afirmações em sentido contrário não refletem a realidade dos fatos e carecem de fundamento"
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, divulgou nesta quinta-feira, 7, uma nota para esclarecer que não teve acesso ao conteúdo da proposta de delação premiada apresentada pela defesa do empresário Daniel Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.
Em nota, Mendonça afirmou que “quaisquer afirmações em sentido contrário não refletem a realidade dos fatos e carecem de fundamento”.
O comunicado foi divulgada após a entrega do material aos órgãos de investigação, realizada na quarta-feira, 6, em meio à expectativa sobre os próximos desdobramentos do caso.
No comunicado, o gabinete de Mendonça também reforçou o entendimento do ministro sobre acordos de colaboração premiada, classificados como “um ato de defesa” e um direito do investigado. O texto ressalta, porém, que, para produzir efeitos, o acordo precisa ser “sério e efetivo”.
“As investigações devem seguir seu curso regular, independentemente da existência ou não de proposta de colaboração”, diz o texto.
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Delação
Após a apresentação do material, que consta em um pen drive, os advogados do banqueiro vão iniciar as tratativas com os investigadores para estabelecer benefícios ao banqueiro, caso a delação seja aceita.
A expectativa de fontes que acompanham as tratativas é que o acordo seja assinado dentro de, no máximo, dois meses.
Investigadores que estão a par das tratativas afirmam que Vorcaro precisa ajudar, de fato, a PF e a PGR a avançar em detalhes sobre o esquema do Banco Master. Apesar disso, poucos integrantes dos dois órgãos acreditam que, de fato, o banqueiro deve avançar em relação ao farto material que já foi colhido pelos agentes.
A expectativa dentro da PGR e PF é que Vorcaro possa avançar em relação à participação de alguns líderes do Centrão, principalmente sobre partidos como PP e União Brasil. Alguns integrantes dessas siglas já foram citados marginalmente em materiais colhidos pela Polícia Federal.
Em relação a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), até o momento, não há qualquer sinalização de que Vorcaro possa acrescentar algo aos investigadores, apesar das revelações sobre o contrato de R$ 129 milhões com Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e a respeito da empresa de Dias Toffoli, que chegou a ser sócia no Resort Tayayá.
Informação publicada pelo colunista Igor Gadelha, do site Metrópoles, aponta que Vorcaro teria citado Viviane e Moraes. Segundo o site, o banqueiro teria dito que firmou o contrato com o escritório de Viviane Barci para se aproximar do ministro do STF. Apesar disso, Vorcaro negou qualquer ilegalidade no acerto.
Também há a expectativa de que nesse acordo possa ser implicado o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, um dos entusiastas da compra do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB).
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