Fux pede vista em julgamento de Moro por piada com Gilmar Mendes
Com maioria formada, ministro interrompe análise de recurso do senador após Primeira Turma formar maioria para mantê-lo réu
O julgamento do recurso do senador Sergio Moro (União-PR) contra a denúncia de calúnia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) foi suspenso, após um pedido de vista do ministro Luiz Fux. Já há maioria formada para que o senador seja mantido na condição de réu.
De acordo com a denúncia, aceita em junho de 2024, Moro teria agido para descredibilizar a atuação do magistrado Gilmar Mendes na Corte. O episódio que motivou a ação foi uma piada em festa junina, pela qual Moro pediu desculpas públicas.
Maioria formada, pedido de vista
O ministro Luiz Fux solicitou tempo para se aprofundar na análise do processo. A Primeira Turma do Supremo decidiu tornar Moro réu por unanimidade. A decisão foi confirmada por todos os integrantes do colegiado.
Entre os ministros que compõem o grupo está Cristiano Zanin. O ministro e o ex-juiz tiveram embates durante a Operação Lava-Jato, quando Zanin atuava como advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Defesa nega intenção caluniosa
Um vídeo, gravado por terceiros e depois divulgado nas redes sociais, capturou o ex-juiz da Lava-Jato brincando, em uma festa junina, sobre um habeas corpus que poderia ser “comprado” do ministro Gilmar Mendes. O Ministério Público Federal (MPF) interpretou o ato como a falsa atribuição de corrupção passiva ao magistrado.
Uma eventual condenação superior a quatro anos de reclusão pode levar à perda do mandato parlamentar do senador.
A defesa de Moro, representada pelo advogado Luís Felipe Cunha, sustenta que o senador não teve intenção de ofender o ministro.
A defesa afirma que a declaração consistiu em uma “piada infeliz” que foi tirada de seu contexto original. Além disso, o advogado Luís Felipe Cunha reforça que o vídeo teria sido editado de forma “maldosa” por terceiros.