Fundo ligado a Vorcaro discutiu retirada de recursos na véspera de prisão
Principal acionista da Super Empreendimentos, fundo Termópilas é ligado ao dono do Banco Master e a cunhado do banqueiro
O fundo Termópilas, principal acionista da Super Empreendimentos e Participações SA, ligada a Daniel Vorcaro (foto) e a seu cunhado Fabiano Zettel, realizou uma assembleia extraordinária na véspera da prisão do banqueiro para tratar de mudanças relacionadas à retirada de recursos do fundo.
A reunião ocorreu no dia 16 de novembro, um domingo, às 15h, de forma remota e sem convocação prévia, segundo ata arquivada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O documento, divulgado na Folha, afirma que a convocação foi “dispensada em virtude da presença da totalidade dos cotistas do fundo”.
Na noite do dia seguinte, uma sequência de eventos colocou o grupo no centro das atenções: surgiram notícias de uma proposta da Fictor para comprar o Banco Master, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal e, logo depois, o Banco Central decretou a liquidação da instituição.
Alterações no regulamento
A ata da assembleia registra a aprovação de ajustes nas competências da assembleia especial “no que se refere a amortização ou resgate total, bem como quórum de aprovação”.
O regulamento do fundo também foi reformulado para detalhar regras de amortização, mecanismo usado para pagamento de cotistas.
Não é possível confirmar, porém, se houve resgates ou amortizações no período. As demonstrações financeiras mais recentes do Termópilas disponíveis na CVM são de setembro de 2025 e indicam patrimônio líquido de cerca de R$ 934 milhões.
Em abril de 2025, o Termópilas integrava a carteira do fundo Astralo 95, que tinha patrimônio líquido de R$ 15 bilhões à época.
Atualização divulgada nesta sexta-feira, 9, aponta que o Astralo 95 alcançou R$ 27 bilhões em dezembro de 2025, mas, a pedido do administrador, a composição da carteira foi ocultada.
Procurada, a CVM informou que a regra permite esconder os ativos por até 90 dias, prazo que pode ser prorrogado com autorização do órgão.
Ligação com crime organizado
O Astralo 95 é citado pelo Banco Central em investigações sobre fraudes atribuídas a Vorcaro e apurações sobre infiltração do PCC no mercado financeiro.
Como mostramos, o BC encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF), em 17 de novembro do ano passado, uma denúncia apontando que ao menos quatro fundos sob investigação por ligação com o crime organizado integrariam um esquema de fraude envolvendo o Banco Master.
Segundo a apuração da autarquia, esses fundos fariam parte de uma cadeia de transações estruturadas com o objetivo de inflar artificialmente ativos e permitir que recursos retornassem ao controle do dono do banco, Daniel Vorcaro, e de diretores da instituição.
De acordo com o BC, as operações suspeitas envolvem fundos administrados pela Reag DTVM, que foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada no ano passado para investigar lavagem de dinheiro ligada à máfia dos combustíveis e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Leia mais: BC liga quatro fundos ao crime organizado em apuração sobre o Banco Master
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