Fuga de Flávio ao exterior incomoda PL na Alerj
Deputados do partido evitam o tema em plenário, mas indicam em conversas reservadas que pretendem se afastar do senador
A informação de que Flávio Bolsonaro (PL) pode ter deixado o país depois de perder a eleição presidencial para Lula (PT) provocou desconforto entre deputados estaduais do partido no Rio. Nesta terça-feira, 27, primeira sessão da Assembleia Legislativa (Alerj) desde o segundo turno, nenhum parlamentar do PL tratou do assunto da tribuna.
Ausência e silêncio
O presidente da Casa, Douglas Ruas (PL), não comandou os trabalhos. Ele retornava de Brasília ao Rio.
A deputada Índia Armelau (PL), a mais votada da nova legislatura e um dos principais nomes do bolsonarismo no estado, esteve no plenário, mas não quis comentar o caso. O deputado Anderson Moraes (PL), apontado como candidato da família Bolsonaro no Rio e cotado para presidir a Alerj caso Flávio vencesse, também manteve reserva.
O vice-presidente da Casa, Guilherme Delaroli (PL), e outros integrantes da sigla igualmente evitaram falar sobre o resultado da eleição e sobre a situação do senador.
Preocupação nos bastidores
Em conversas reservadas, os parlamentares manifestaram inquietação com as consequências políticas do episódio para o grupo fluminense. Segundo o GLOBO, Integrantes do partido o descreveram como “algo que não pegou bem”. Mesmo aliados próximos da família Bolsonaro disseram avaliar um afastamento de Flávio, embora nenhum tenha defendido a posição em público.
Em Brasília, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, convocou parlamentares da legenda para discutir a crise.
Manifestações de outras bancadas
Uma das poucas falas do PL sobre o quadro nacional foi a do deputado Renan Jordy. Sem mencionar Flávio, ele fez uma saudação irônica ao vencedor: “Gostaria de parabenizar, no segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva pela vitória. Mas também pela vitória desses próximos quatro anos, que marcarão o aumento do feminicídio, da corrupção e do prejuízo das empresas públicas”.
Em seguida, Jordy tratou do debate sobre classificar facções criminosas como organizações terroristas, citando o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Deputados de PSOL, PT e PCdoB usaram a sessão para comemorar a vitória de Lula. Renata Souza (PSOL) defendeu o acatamento do resultado: “É uma bandeira que é do Estado democrático de Direito. O desejo da maioria do povo brasileiro precisa ser respeitado. Nós disputamos esse espaço. Se estamos neste Parlamento, é porque confiamos na urna e na disputa democrática”.
Flávio Serafini (PSOL) associou o resultado ao desempenho dos governos petistas na redução da desigualdade: “A defesa de Lula foi uma defesa de um legado. De um ciclo que mais enfrentou a desigualdade no Brasil. A situação da classe trabalhadora brasileira mudou e, por isso, a democracia se fortaleceu. O Brasil tem vivenciado uma grande mudança”.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)