Força-tarefa apura possível ligação de mil postos de combustíveis no RJ com o crime organizado
Ministro Wellington César Lima afirma que levantamento é preliminar e diz que força-tarefa atuará sem comprometer o abastecimento
O ministro da Justiça, Wellington César Lima, informou que uma força-tarefa coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) investiga a possível ligação de mais de mil postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro com o crime organizado.
Segundo o ministro, o levantamento é preliminar e ainda precisará ser confirmado por meio do cruzamento de informações entre os órgãos envolvidos na investigação.
“Os números mencionados dão uma monta de mais de mil postos que estão envolvidos com isso. Mas temos que ter muita parcimônia, porque tudo isso ainda será confirmado a partir do cruzamento de informações”, afirmou Wellington após uma reunião estratégica realizada com integrantes do Escritório Nacional Antifacção do Rio de Janeiro (ENA-RJ).
“Tivemos uma reunião muito positiva com 20 participantes. O diagnóstico envolve números muito relevantes que dão conta da magnitude da relação desse setor na medida em que fica vulnerável”, disse.
O ministro afirmou que a força-tarefa atuará para enfraquecer as organizações criminosas sem comprometer o abastecimento de combustíveis no estado.
“É preciso que os órgãos de controle produzam o combate ao crime organizado sem desabastecer a população carioca. A população será assistida e o crime organizado, combatido.”
Operação Unha e Carne
Na última semana, a PF deflagrou a sexta fase da Operação Unha e Carne, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na região metropolitana do Rio de Janeiro.
Um dos alvos foi o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella.
Segundo a investigação, o grupo teria contado com a participação de agentes públicos.
Os policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão em endereços localizados na capital fluminense e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Também foram determinadas pela Justiça medidas de bloqueio de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados.
De acordo com a PF, o grupo movimentou mais de 7,6 bilhões de reais nos últimos seis anos. A estimativa consta de um relatório de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) encaminhado aos investigadores.
Além de Canella, o delegado Marcus Amim, que atuou na secretaria de Polícia Civil, está entre os alvos.
A corporação afirma que a rede de postos era utilizada para ocultar e dissimular recursos de origem ilícita, em um esquema que, segundo a investigação, beneficiava uma organização criminosa.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal, além de outros delitos que eventualmente sejam identificados ao longo das apurações.
A operação integra a força-tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro. Segundo a corporação, a iniciativa segue diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADPF 635.
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