Flávio vai ao TSE pedir cassação de Lula por desfile de escola de samba
Na petição, o PL argumenta que a escola recebeu um aporte de aproximadamente R$ 9,5 milhões em recursos públicos
O senador Flávio Bolsonaro (PL) ingressou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação da chapa de Lula por abuso de poder político e econômico por conta do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói.
A petição foi impetrada nesta terça-feira, 8.
Segundo os advogados do parlamentar, o desfile representou “o maior caso de uso da máquina pública em favor de uma candidatura presidencial já visto na história democrática do Brasil”.
Na petição, o PL argumenta que a escola recebeu um aporte de aproximadamente R$ 9,5 milhões em recursos públicos, dos quais R$ 1 milhão da Embratur, uma estrutura do governo federal comandada na época por Marcelo Freixo (PT), aliado do presidente da República.
O samba-enredo da Acadêmicos de Niterói foi denominado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O desfile desagradou os bolsonaristas não apenas por homenagear Lula, mas também por representar evangélicos em fantasias de “latas de conserva“.
O desfile teve alas que representaram greves operárias, programas sociais e episódios ligados à prisão e à posterior anulação das condenações de Lula. Alegorias trouxeram referências a Bolsonaro, representado como um palhaço com trajes de presidiário.
A letra reproduziu gritos de militância do PT e mencionou, em dois momentos, o número de urna do partido.
Lula acompanhou o desfile de um camarote da Prefeitura do Rio, ao lado de ministros e do prefeito Eduardo Paes (PSD). A primeira-dama Janja, inicialmente prevista para o último carro alegórico da escola, não desfilou; seu lugar foi ocupado pela cantora Fafá de Belém.
Antes do desfile, a Acadêmicos de Niterói divulgou nota pública em que relatou pressões ao longo de todo o processo carnavalesco. A diretoria afirmou ter enfrentado “ataques políticos” e tentativas de interferência em sua autonomia artística, com pedidos de mudança no enredo e questionamentos sobre a letra do samba.
Segundo o texto, as pressões partiram também de “gestores do próprio Carnaval Carioca”, sem que nomes fossem citados.
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