Flávio vai ao STF para declarar Moraes suspeito de atuar no caso Master
A argumentação do filho de Jair Bolsonaro é que há uma relação direta entre Viviane Barci de Moraes com o banqueiro
O senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma petição para que o ministro Alexandre de Moraes se declare suspeito de atuar em ações relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, na Corte.
A argumentação de Flávio – pré-candidato do PL à Presidência da República – é que há uma relação direta entre Viviane Barci de Moraes com o banqueiro. Isso seria, na visão de Flávio, motivo para declarar o ministro impedido de atuar no caso.
Na petição, a defesa de Flávio Bolsonaro não emite juízo de valor, mas afirma que atua apenas sob caráter preventivo.
A proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro, rejeitada pela Polícia Federal no dia 20 de maio, continha a descrição de um segundo contrato entre uma empresa ligada ao empresário e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
O documento, redigido em agosto de 2025, estabelecia o repasse de R$ 50 milhões ao escritório, mas, segundo a versão apresentada por Vorcaro, nunca foi assinado. Segundo a jornalista Malu Gaspar, a informação foi confirmada por duas fontes com acesso ao material.
O contexto do segundo contrato
De acordo com pessoas próximas ao ex-banqueiro, o novo instrumento teria sido elaborado diante da perspectiva de venda do Banco Master no curto prazo.
O objetivo seria assegurar o pagamento do saldo remanescente do contrato original, firmado entre o Master e o Barci de Moraes em janeiro de 2024, que estipulava parcelas mensais de R$ 3,6 milhões até janeiro de 2027 — totalizando R$ 130 milhões.
Segundo dados fornecidos pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado, o Banco Master transferiu ao escritório R$ 80.223.653,84 entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, classificados como honorários jurídicos e de consultoria.
Com isso, 22 das 36 parcelas haviam sido quitadas quando os repasses cessaram — não por uma eventual alienação do banco, mas pela prisão de Vorcaro e a subsequente liquidação da instituição.
Lacunas que derrubaram a proposta
A versão apresentada pelo banqueiro não identificou qual empresa seria a contratante no novo acordo, não especificou o objeto dos serviços e tampouco explicou como se chegou ao valor de R$ 50 milhões.
O ministro Alexandre de Moraes não se manifestou.
Vorcaro apresentou uma nova versão da delação, ainda sob análise da Polícia Federal.
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