Flávio foi cadastrado como “usuário master” de conta de empresa de Willer Tomaz
PF identificou e-mails que apontam acesso do senador à conta da Alcazar Holdings, do advogado e amigo
O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária de uma empresa do advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de lavagem de dinheiro.
As informações foram divulgadas pelo g1.
De acordo com a PF, o cadastro permitia a Flávio ter “acesso operacional relevante” à conta bancária e “sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa”.
O senador e Willer Tomaz são amigos, mas negam ter negócios juntos.
A PF identificou indícios de que Flávio e o advogado compartilhavam o acesso à conta bancária da Alcazar Holdings, empresa de propriedade de Tomaz. Os indícios surgiram a partir de e-mails trocados entre uma secretária do advogado e uma funcionária do banco Santander.
A apuração começou no Rio Grande do Sul, onde a PF investigava suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Um dos alvos do inquérito era a casa de apostas Blaze. Com autorização judicial, o sigilo telemático de Willer Tomaz foi quebrado.
A investigação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) para distribuição a um dos ministros da Corte, porque o nome de Flávio apareceu nos e-mails obtidos após a quebra de sigilo. Como senador, ele tem foro especial no STF.
Em outro processo, Willer Tomaz processa a Blaze.
Ele alega ter sido lesado em R$ 188,5 milhões pela plataforma de apostas. Na ação, que tramita na Justiça de São Paulo, Tomaz afirma ter sido diagnosticado com ludopatia, transtorno mental caracterizado pela perda de controle sobre o impulso de jogar.
“Usuário master”
Os e-mails obtidos pela PF mostram que uma secretária de Tomaz, Fayla Menezes, escreveu a uma agência bancária, em maio do ano passado, solicitando a alteração do “usuário master” da conta da Alcazar Holdings.
“Na oportunidade peço por gentileza no gerenciador do usuário master desassociar as contas abaixo”, escreveu a secretária, listando em seguida um número e o nome de Flávio, além de outra conta de Willer Tomaz.
O banco atendeu ao pedido: “As contas foram excluídas do contrato, conforme solicitado”.
A Alcazar Holdings é dona de uma das três cotas do jatinho particular utilizado por Flávio e Tomaz em uma viagem de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para o Brasil, em janeiro de 2025.
O avião, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, tinha três proprietários na época do voo: Tomaz, por meio da Alcazar Holdings; Laerte Cosentino, dono da Totvs; e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, por meio da empresa Prime You, que também administrava o uso da aeronave de propriedade compartilhada.
O que dizem Flávio e Tomaz
Flávio afirmou ao Globo que “nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas”.
“Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa. O próprio e-mail apresentado comprova justamente que a vinculação era indevida, tanto que solicita a desvinculação. Ou seja, o pedido só reforça que qualquer possibilidade de associação existente estava errada e precisava ser corrigida”, disse o senador.
“Essas insinuações surgem em pleno período eleitoral e exigem responsabilidade. A divulgação de Fake News é crime eleitoral e os responsáveis deverão responder na forma da lei”, acrescentou.
Willer Tomaz também repudiou as informações divulgadas.
“A conta bancária mencionada nunca lhe pertenceu. Ele jamais criou usuário em nome do senador Flávio Bolsonaro em qualquer plataforma. Entre os dois há apenas amizade, sem relação comercial ou financeira. Atribuir-lhe condutas inexistentes, com base em ilações sem comprovação, é uma grave irresponsabilidade”, afirmou o advogado, em nota.
“Em plena campanha eleitoral, fabricam-se mentiras com o evidente propósito de interferir no resultado do pleito. O advogado adotará todas as medidas judiciais cabíveis contra aqueles que, deliberadamente, divulgarem acusações falsas ou utilizarem informações obtidas ilicitamente para atingir sua honra e reputação”, concluiu.
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