Flávio acusa Moraes de usar STF para interferir nas eleições
Senador pré-candidato denuncia uso da Corte para prejudicar adversários políticos da direita; repetição de crítica feita pelo pai em 2022
“Está muito claro qual é a estratégia. Já que agora Alexandre de Moraes não está mais no TSE [Tribunal Superior Eleitoral], ele vai querer desequilibrar as eleições lá do Supremo. […] Essa prática não dá para aceitar em outras eleições, agora em 2026”, afirmou nesta quarta-feira, 15, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
Flávio se manifestou após o ministro abrir inquérito para investigá-lo por suspeita de calúnia contra o presidente Lula (PT), seu principal rival na disputa de outubro. Para o senador, o movimento representa apenas o primeiro passo de uma estratégia mais ampla: utilizar o poder judiciário como ferramenta de campanha.
O passado como evidência
Flávio lembra o histórico de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral. Segundo o senador, o ministro cometeu atos que prejudicaram a imparcialidade do processo eleitoral anterior, favorecendo Lula em detrimento dos candidatos de direita. Agora, sem ocupar aquele cargo, Moraes teria migrado sua estratégia para o Supremo Tribunal Federal.
O senador também criticou duramente o inquérito sobre fake news, que considera um instrumento de perseguição política. Segundo ele, Moraes usará esse mecanismo durante a campanha de 2026 para mirar membros do espectro conservador.
Flávio apontou que as decisões do ministro, anteriormente, “atropelaram vários direitos e garantias individuais de parlamentares da direita”, uma prática que, para ele, não pode ser tolerada novamente.
Não é só Flávio quem acusa
Alessandro Vieira (MDB-SE), autor de relatório que propunha indiciamento de Moraes junto com Toffoli e Gilmar Mendes, afirmou estar sendo ameaçado e criminalizado pela atitude do Supremo. Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Marcos do Val (Avante-ES) abraçaram a causa, argumentando que ataques ao relator constituem ataque ao próprio Senado.
O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ofereceu a Advocacia do Senado para auxiliar os senadores na proposição de matérias “para defender a legitimidade do voto popular e as prerrogativas dos senadores”. Simultaneamente, Gilmar Mendes solicitará à Procuradoria-Geral da República a investigação de Vieira por abuso de autoridade, aprofundando o conflito entre os poderes.
O inquérito em questão
O processo aberto por Moraes investiga uma publicação em que Flávio atribuiu a Lula crimes como tráfico internacional de drogas, armas e apoio a terroristas e ditaduras. A Polícia Federal e a PGR concordaram em reconhecer possível crime de calúnia, legitimando a abertura do inquérito sob o ponto de vista formal.
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