Flávio acusa Moraes de perseguição e diz que perdeu para “o sistema”, não para Lula
“Posso ser tudo, menos burro. Fiz análise de cenário, entendi onde eles chegariam”, afirma o senador em vídeo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial, afirmou que deixou o Brasil por se sentir perseguido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em sua primeira aparição pública desde que saiu do país, na última terça-feira, o ex-candidato classificou a situação como um “regime de exceção” e disse em vídeo que pretende contestar judicialmente a apreensão de seus passaportes.
Flávio relatou que foi informado da decisão de Moraes na segunda-feira, 26, ao deixar a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após uma visita de 30 minutos.
Segundo ele, agentes da Polícia Federal o aguardavam para comunicar a apreensão dos documentos e a proibição de viajar ao exterior.
“Pai, começou a perseguição, até um pouco antes do que eu imaginava que começaria”, afirmou ter dito a Jair Bolsonaro.
O senador também questionou a investigação por lavagem de dinheiro que motivou a medida e negou envolvimento.
Flávio disse ainda que Moraes tomou a decisão sem ouvir previamente a Procuradoria-Geral da República (PGR) e classificou a ordem como intimidação.
Na transmissão, Flávio também questionou o resultado eleitoral e prometeu apresentar provas de supostas irregularidades, sem detalhá-las. Disse ainda que poderá disputar novamente a Presidência, “e não estou a falar de 2030, estou a falar de antes disso”.
“Eu perdi para o sistema, eu não perdi para o meu adversário”, disse.
Ele afirmou ainda:
“Posso ser tudo, menos burro. Fiz análise de cenário, entendi onde eles chegariam.”
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A fuga
O senador deixou o Brasil na terça-feira acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas.
Segundo autoridades argentinas, cruzou a fronteira por terra e embarcou em um avião particular em Puerto Iguazú. O voo partiu cerca de 40 minutos depois, e Flávio teria usado um passaporte italiano.
A possível participação da Argentina na fuga provocou tensão diplomática. O Itamaraty convocou a encarregada de negócios argentina para prestar esclarecimentos, mas o chanceler Pablo Quirno negou que o pedido tenha ocorrido.
Nos EUA, congressistas democratas cobraram explicações sobre uma possível coordenação entre os governos de Trump e Milei.
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Quem pagou o voo da fuga de Flávio?
O empresário argentino Luis Grande, dono da Baires Fly, afirmou à agência de notícias AFP que o voo usado na fuga de Flávio Bolsonaro foi contratado e pago por um intermediário do setor aeronáutico por meio de uma conta nos Estados Unidos.
“Fui contratado por um broker [um intermediário] que conheço há dez anos, que vende voos e mora nos Estados Unidos”, disse o empresário.
Grande afirmou que o operador transferiu 150 mil dólares de uma conta em um banco americano e que não conhece o verdadeiro contratante.
O jornal New York Times publicou na quinta, 29, que a aeronave da Baires Fly foi contratada por Jason Miller, assessor do presidente dos EUA, Donald Trump.
Miller publica frequentemente, em seu perfil no X, notícias e comentários sobre o cenário político brasileiro. Ele é amigo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e esteve no Brasil durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL).
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