Filipe Luís recua após críticas por fala sobre racismo contra Vini Jr.
Treinador do Flamengo emitiu nota oficial reconhecendo que declarações dadas à imprensa argentina geraram “interpretações distintas”
Filipe Luís, técnico do Flamengo, divulgou nota oficial na tarde desta sexta-feira, 20, retratando-se de declarações que fez na véspera sobre o episódio de racismo denunciado pelo atacante brasileiro Vinicius Junior, durante partida da Champions League. O treinador admitiu que suas falas abriram margem para leituras equivocadas e reafirmou apoio ao atacante do Real Madrid.
O caso teve origem na quarta-feira, quando Vini Jr. acusou o jogador argentino Gianluca Prestianni de tê-lo chamado de “mono” – macaco, em espanhol – durante o confronto entre Real Madrid e Benfica. O árbitro François Letexier ativou o protocolo de racismo, paralisando a partida por cerca de dez minutos. O jogo ficou marcado por confusão generalizada entre jogadores e comissões técnicas dos dois clubes.
Diplomacia não pegou bem
Na noite de quinta-feira, 19, após a derrota do Flamengo para o Lanús pelo jogo de ida da Recopa Sul-Americana, Filipe Luís foi questionado por um repórter argentino sobre o episódio. O treinador classificou o ocorrido como “caso isolado”, e disse que o incidente não alterava sua opinião sobre a Argentina.
Em entrevista a uma emissora de televisão argentina, Filipe Luís foi além e ponderou que a acusação dependia do testemunho de uma parte contra a outra, já que Prestianni teria tapado a boca ao falar com o brasileiro.
“O rapaz tapou a boca, não deveria ter tapado a boca para dizer o que precisava dizer, e isso gera toda essa comoção. Agora é a palavra de um contra a do outro, e isso é muito delicado”, afirmou o treinador.
As declarações repercutiram negativamente entre torcedores e no debate público. A combinação entre o tom conciliatório em direção ao país do jogador acusado e o argumento da dúvida quanto ao relato de Vinicius foi interpretada por parte do público como uma relativização do episódio.
A nota e o recuo
Na nota divulgada pela assessoria do clube, Filipe Luís contextualizou a pergunta que recebeu na coletiva e reconheceu que suas palavras comportavam “interpretações distintas”. O técnico negou ter tido intenção de minimizar qualquer conduta racista e declarou apoio ao atacante do Real Madrid.
Leia na íntegra:
“Após a partida de ontem contra o Lanús, durante a coletiva de imprensa organizada pela Conmebol, minutos após o fim do jogo, fui questionado por um repórter argentino. Ele iniciou seu raciocínio citando mais um caso de racismo sofrido por Vinícius Júnior, quando me perguntou como o Flamengo foi recebido nas últimas vezes em que esteve no país.
Ao longo da resposta, procurei abordar minhas experiências pessoais na Argentina. Em momento algum tive a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista.
Reconheço que minha fala, diante da extrema sensibilidade do tema, pode ter aberto margem para interpretações distintas. Por isso, considero fundamental reforçar publicamente minha posição, que sempre foi inegociável: o racismo é crime no Brasil e deveria ser tratado com o mesmo rigor em todos os países. Trata-se de uma conduta inaceitável, que deve ser combatida e punida de maneira firme. O futebol, como espaço de diversidade e integração, não pode tolerar qualquer forma de discriminação.
Reforço ainda que, antes da partida, em entrevista exclusiva ao detentor de direitos, expus minha visão sobre o episódio, classificando como covarde a atitude do jogador que tapou a boca para praticar atos racistas. Jamais colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso grave como esse.
Por fim, reitero meu total apoio a Vinícius Júnior em mais um lamentável episódio envolvendo racismo no esporte, algo que já não deveria mais ocorrer, mas que infelizmente ainda se repete e, muitas vezes, passa impune.
Filipe Luís, Técnico do Clube de Regatas do Flamengo.”
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