Favorito à prefeitura de NY acusa EUA de financiar genocídio
Zohran Mamdani lidera disputa em Nova York, diz em TV do Catar que Washington “financia genocídio” e enfrenta críticas por laços familiares com Doha
Zohran Mamdani, deputado estadual, muçulmano praticante e político de esquerda, acusou os Estados Unidos de “financiar um genocídio” contra palestinos.
A declaração foi feita em entrevista à Al-Araby TV, emissora ligada ao governo do Catar.
Segundo tradução do Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio (MEMRI), Mamdani disse que “uma criança palestina morreu a cada hora por mais de um ano”. Ele acrescentou que “o povo de Nova York está chocado com a colaboração americana no que está acontecendo”.
O candidato, de 33 anos, é o favorito na disputa para a prefeitura de Nova York. Pesquisa da Quinnipiac University Poll o coloca com 45% das intenções de voto.6 Andrew Cuomo, agora independente, aparece com 23%.
O republicano Curtis Sliwa tem 15% e o prefeito Eric Adams, também independente, 12%. A eleição será em 4 de novembro.
As falas reacenderam questionamentos sobre vínculos de sua família com o Catar.
Sua mãe, a cineasta Mira Nair, recebeu recursos do Doha Film Institute, presidido pela sheikha Al-Mayassa bint Hamad Al-Thani. O instituto financiou o longa The Reluctant Fundamentalist, de 2012, com orçamento de 15 milhões de dólares.
A própria sheikha tem promovido Mamdani em suas redes sociais, compartilhando pesquisas e vídeos de campanha. Críticos afirmam que Doha, acusado de apoiar grupos como Hamas e Taliban, utiliza patrocínios culturais e políticos como ferramenta de influência.
Danielle Pletka, do American Enterprise Institute, disse que “eles estão comprando alguém disposto a ser comprado e, no momento certo, vão pedir o que querem”. Legisladores democratas judeus também reagiram com preocupação.
Mamdani é filiado aos Socialistas Democráticos da América (DSA). Segundo o dirigente Daniel Goulden, a organização colaborou com a campanha na redação de sua plataforma. Ele defende medidas como cortar investimentos municipais em títulos israelenses e já se recusou a condenar o slogan “globalize a intifada”.
O cenário eleitoral segue fragmentado. Cuomo e Adams dividem o campo anti-Mamdani, o que pode facilitar a vitória do deputado. O ex-presidente Donald Trump chamou o candidato de “comunista lunático” e ameaçou cortar verbas federais para Nova York caso ele seja eleito.
Mesmo em meio às polêmicas, Mamdani mantém vantagem sólida nas pesquisas. Sua identidade como muçulmano e político de esquerda, somada ao discurso contra Washington, reforça a centralidade de sua candidatura na disputa pela maior cidade dos Estados Unidos.
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Comentários (2)
Amadeus
23.09.2025 10:27Defender incondicionalmente um estado ou governo é fazer bom jornalismo? Para mim isso é ser veiculo de propaganda de Israel .
Amadeus
23.09.2025 10:24O esforço do autor da matéria para descredibilizar o candidato é lamentável . Começa com “muçulmano”, de “esquerda”, com laços com o Qatar. Como se não fosse óbvio até para quem não é muçulmano, de esquerda e sem vínculo com o Catar que os EUA financiam o genocídio em Gaza, a ocupação em West Bank, o bloqueio de alimentos para a população . Esta defesa incondicional de Israel pelo Antagonista é lamentável .