Famosos, futuristas e bilionários estão congelados em tanques esperando uma tecnologia que talvez nunca chegue
A Alcor preserva atletas, pioneiros da tecnologia, filósofos e até uma criança em uma aposta extrema contra o limite final da vida.
Dentro dos tanques de nitrogênio líquido da Alcor, no Arizona, não há apenas corpos anônimos esperando pelo futuro. Entre os 248 “pacientes” preservados estão histórias que vão de lendas do esporte a pioneiros da tecnologia, passando pela criança mais jovem já criogenizada no mundo. Quem são essas pessoas e o que as levou a apostar tudo em uma segunda chance?
Quem foi o primeiro ser humano congelado da história?
Tudo começou em 1967, quando o psicólogo James H. Bedford morreu de câncer renal aos 73 anos. Ele se tornou o primeiro humano a passar pelo processo de criogenização, executado por especialistas da Sociedade de Criônica da Califórnia. Seu corpo foi preservado e, anos depois, transferido para os tanques da Alcor, onde permanece até hoje.
Bedford não era um excêntrico qualquer: era um homem que acreditava profundamente que a ciência avançaria rápido o suficiente para trazê-lo de volta. Quase 60 anos depois, ele ainda está lá, intacto, aguardando uma resposta que a ciência ainda não tem.

Quais famosos estão preservados ou planejam ser?
Alguns nomes conhecidos já fizeram suas apostas na criogenização. Entre os casos confirmados, estão figuras que misturam esporte, tecnologia e filosofia. Veja quem aparece nessa lista:
- Ted Williams, lenda do beisebol americano e último jogador da MLB a bater .400 em uma temporada, foi criogenizado em 2002 após uma briga judicial entre herdeiros. Apenas o seu cérebro foi preservado na Alcor.
- Hal Finney, desenvolvedor de software e um dos pioneiros do Bitcoin, morreu em 2014 de ELA e também está preservado na Alcor.
- FM-2030, filósofo transhumanista iraniano-americano, morreu em 2000 e escolheu a neuropreservação, tornando-se símbolo da união entre intelectualidade e criônica.
- Peter Thiel, cofundador do PayPal e um dos investidores mais influentes do Vale do Silício, confirmou ter contrato com a Alcor para ser preservado após a morte.
- Ray Kurzweil, futurista e executivo do Google, mantém membros na Alcor como plano B para seu rigoroso programa antienvelhecimento.
- DJ Steve Aoki, Seth MacFarlane e Paris Hilton já declararam publicamente interesse em ser criogenizados no futuro.
Leia também: Mãe de Virginia fará reality de milionárias na Globo
Qual é a história mais emocionante entre os preservados?
Entre todos os casos, o de Matheryn Naovaratpong é o que mais provoca reflexão. Ela era uma menina tailandesa de apenas 2 anos que passou por 12 cirurgias cerebrais antes de morrer de câncer. Em 2015, seus pais, ambos médicos, decidiram criogenizá-la na Alcor, tornando-a a pessoa mais jovem já preservada no mundo e a primeira na Ásia.
A história divide opiniões: para alguns, é um ato de amor desesperado diante do inaceitável. Para outros, é a prova de que a criogenização vai muito além da vaidade dos ricos, tocando o desejo mais humano de todos: não perder quem se ama.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Royki contando a história de supostos bilionários que estão congelados esperando a segunda vida.
Walt Disney está mesmo congelado na Alcor?
Esse é o boato mais famoso do universo da criônica, e a resposta é simples: não há nenhuma evidência de que Walt Disney tenha sido criogenizado. Registros históricos apontam que ele foi cremado em dezembro de 1966, apenas quatro dias após sua morte. O rumor provavelmente surgiu porque Bedford foi criogenizado poucos meses depois, em 1967, e a ideia do congelamento ainda era novidade absoluta.
A Alcor não confirma nem nega nomes de pacientes por questões de confidencialidade, o que alimenta especulações. Mas, no caso de Disney, os documentos de cremação são públicos e não deixam dúvida.
O que une todas essas pessoas em um tanque de nitrogênio?
Por mais diferentes que sejam, atletas, filósofos, bilionários e uma criança de 2 anos compartilham o mesmo impulso: a recusa em aceitar a morte como ponto final. Para a Alcor, todos são chamados de “pacientes”, não de cadáveres. Essa escolha não é acidental. É uma declaração de que o processo ainda não acabou.
A ciência, por enquanto, não sabe como trazer nenhum deles de volta. Neurocientistas estimam que ainda estamos a centenas de anos desse avanço. Mas quem está lá dentro já tomou sua decisão: preferiram apostar no improvável a desistir do futuro.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)