Fachin adia reunião com OAB por crise no STF
Presidente da Corte cancela encontro marcado para quarta-feira sem definir nova data em meio a embate entre ministros
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, suspendeu o encontro que teria com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, na quarta-feira, 9
A decisão foi comunicada nesta segunda-feira, 7, e ocorre no momento em que a Corte enfrenta um confronto interno envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Não há data remarcada para o encontro.
Reação da OAB
Segundo relato de interlocutores, Fachin se desculpou com Simonetti e afirmou que buscaria uma nova data para a conversa, cuja pauta seria a apuração das condutas de Moraes e Mendonça relacionadas às investigações do empresário Daniel Vorcaro.
Mesmo com o adiamento, o presidente da OAB convocou uma reunião extraordinária do Colégio de Presidentes das seccionais da entidade. Simonetti tem cobrado publicamente que eventuais irregularidades cometidas por ministros sejam apuradas com o mesmo rigor destinado aos demais cidadãos.
Em nota , a OAB declarou acompanhar o caso com “atenção e extrema preocupação” e defendeu apuração “rigorosa e isenta”, “em relação a quem quer que seja”. A entidade também cobrou respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e à presunção de inocência.
Origem do conflito
O impasse se intensificou na quinta-feira, quando Moraes encaminhou a Fachin relatórios de inteligência da Polícia Federal apontando supostas irregularidades de Mendonça, entre elas o direcionamento político de investigações e interferência em acordos de delação premiada. A solicitação à PF pedia documentos que citassem ministros da Corte devido a informações sobre condutas que ameaçariam a independência dos magistrados, sem detalhar quais seriam.
Na sexta-feira, em evento no Palácio do Planalto, Fachin classificou a resposta institucional como “firme e rigorosa”, descartando “precipitação”. Segundo o presidente do STF, “a gravidade dos fatos não autoriza atalhos”, disse que “nenhuma autoridade está acima da Constituição. Nenhum Poder está acima da lei”.
O ministro abriu prazo para manifestações de Moraes e Mendonça. Também deverão prestar esclarecimentos o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ambos mencionados em mensagens atribuídas a Vorcaro.
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Comentários (1)
Marian
07.09.2026 20:45Captei.