Ex-petista Delcídio do Amaral ensaia retorno, mas rejeição é alta
Preso pela Operação Lava Jato, o ex-senador está livre para tentar se eleger mais uma vez no MS, o que não consegue desde 2018
O ex-senador Delcídio do Amaral (PRD, foto) indicou nesta semana que deve se candidatar a deputado federal neste ano, mas terá de lidar com uma rejeição de 53% do eleitorado do Mato Grosso do Sul, segundo pesquisa Realtime Big Data divulgada nesta terça-feira, 12.
Delcídio entrou para a história como o primeiro senador preso. Na época, ele era filiado ao PT.
A detenção em flagrante foi feita pela Operação Lava Jato, em 2015, sob suspeita de obstrução de Justiça, por tentar impedir a delação de Nestor Cerveró com promessa de 50 mil reais mensais.
O ex-petista chegou a fazer delação premiada e teve o mandato de senador cassado em 2016.
Mas, assim como ocorreu com a maioria dos condenados pela Lava Jato, Delcídio acabou livre da condenação e tenta se eleger para um cargo público sem sucesso desde 2018.
“As últimas três eleições que eu disputei, eu disputei para marcar a posição, porque havia um questionamento, ‘porque ele foi inocentado na Justiça, mas quem tirou os direitos políticos dele foi o Congresso. Então, se é outro Poder, ele não pode disputar a eleição’. E, em cima dessa tese aí, era repetido isso sistematicamente no estado inteiro: ‘não pode votar nele, que vai perder seu voto’. Aquela conversa mole, esse ‘modus operandi’ que a gente já conhece bem dessa elite política arcaica aqui do nosso estado. Só que agora o Congresso devolveu também meus direitos políticos, então, eu quero ver o que eles vão criticar, se eu fui absolvido na Justiça por unanimidade e não usei chicana, não. Segui o bom direito, não fui ‘descondenado’ nada, e agora o Congresso, me devolvendo os direitos políticos, eu quero saber o que que eles vão falar”, disse Delcídio ao Portal Primeira Página em entrevista que foi ao ar na segunda-feira, 11.
Histórico
Em 2018, Delcídio tentou se eleger senador pelo PTC. Em 2022, não conseguiu um mandato de deputado federal, e, em 2024, ficou em último lugar na disputa pela Prefeitura de Corumbá.
“Uma coisa é disputar a eleição com liminar, por mais justa que ela tenha sido, mas é frágil isso. O risco de ter o pedido de registro indeferido… Então, você é eleito e aí perde o mandato conquistado, essas coisas. Agora não, agora as coisas mudaram, eu estou num partido [em] que a gente tem condição de montar um time novo. O PRD é um partido hoje de profissionais liberais, de empresários, de servidores públicos de carreira, de lideranças de segmentos sociais importantes”, disse Delcídio, acrescentando que os membros do partido “insistem muito” para que ele saia candidato a deputado federal.
“Mas desta vez eu não posso errar, eu tenho que estar muito bem estruturado para fazer uma campanha à altura e para cumprir, inclusive, a cláusula de barreira”, comentou.
Questionado sobre o fato de que seu nome circula em pesquisas para o governo do Mato Grosso do Sul, Delcídio disse que “em princípio” não pretende disputar o cargo, mas se disse surpreso com seu desempenho.
“Eu, sem fazer nada, sem andar, tem pesquisa [em que] eu estou com 6,8%, 7%. Eu não fiz nada agora, durante esse período que eu estava numa espécie, assim, de quarentena. Agora, isso tem um significado também, e o significado é o seguinte: a eleição para governador não está definida, não, como tentam vender esse peixe por aí. Se vocês somarem os números dos pré-candidatos, já dá quase segundo turno”, disse o ex-senador na entrevista.
Pesquisa
Na pesquisa Realtime Big Data divulgada nesta terça, Delcídio aparece com 7% das intenções de voto, atrás do governador Eduardo Riedel (PP), favorito à reeleição, com 43%, do ex-deputado federal Fábio Trad (PT), que tem 21%, e do deputado estadual João Henrique Catan (Novo), que aparece com 11% das intenções de voto.
Num possível segundo turno, Delcídio marcaria 25% contra 56% de Riedel.
Entre os candidatos ao governo, o ex-senador é o mais rejeitado, por 53% do eleitorado, à frente de Trad (42%), Riedel (32%), Lucien Rezende (Psol, 32%) e Jefferson Bezerra (Agir, 29%).
O caminho para se eleger deputado federal parece bem mais simples.
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