Estudo da FGV vê oportunidade bilionária para o Brasil na era da IA
Levantamento indica que o país tem potencial para atrair investimentos bilionários, mas precisa superar gargalos regulatórios, tributários e de infraestrutura
Um estudo da FGV Projetos apresentado nesta terça-feira, 7, aponta que o Brasil reúne condições para se consolidar como um hub internacional de data centers voltados à inteligência artificial, mas alerta que entraves regulatórios e de infraestrutura podem afastar investimentos bilionários do país.
O levantamento, elaborado em parceria com a Scala Data Centers e a Norgás, foi lançado durante um café da manhã promovido pelo Instituto Livre Mercado (ILM), em Brasília. O estudo analisa os impactos econômicos da expansão da infraestrutura digital e defende que a inteligência artificial representa uma transformação comparável às grandes revoluções tecnológicas.
Segundo a pesquisa, a implantação de um único data center de 100 megawatts (MW) dedicado à IA exige investimento de aproximadamente 25 bilhões de reais. Desse total, cerca de 20 bilhões de reais correspondem à compra de equipamentos de alta tecnologia, como GPUs, atualmente importados.
Para o diretor executivo do ILM, Rodrigo Marinho, a infraestrutura digital passou a ocupar um papel central na economia. “O tema que nos une hoje é estratégico. Quando falamos de data centers, não estamos falando apenas de tecnologia; estamos falando de uma infraestrutura essencial para a economia da inteligência artificial, para a produtividade das empresas, para a competitividade do Brasil e para a capacidade do país de participar de uma nova etapa da economia global. A infraestrutura deixou de ser uma pauta setorial”, afirmou.
Apesar do elevado custo, o retorno econômico é significativo. O estudo estima que cada empreendimento desse porte acrescente 1,5 bilhão de reais ao Produto Interno Bruto (PIB). A construção também pode gerar cerca de 12,6 mil empregos diretos e indiretos, número que chega a 37,2 mil vagas quando considerado o efeito renda na economia.
Os pesquisadores afirmam que o principal desafio para o Brasil é criar um ambiente competitivo para receber esses investimentos. Entre os obstáculos estão a fragmentação das regras que disciplinam o setor, a falta de coordenação entre órgãos reguladores, como Anatel, Aneel e ANPD, além do custo de importação de equipamentos e da necessidade de ampliar a oferta de energia para acompanhar a demanda dos novos data centers.
Na avaliação da FGV Projetos, o Brasil possui vantagens competitivas, como uma matriz elétrica predominantemente renovável. Sem avanços na segurança regulatória e na infraestrutura, porém, o país pode perder espaço na disputa global pelos investimentos impulsionados pela inteligência artificial.
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