“Estamos infernizando” o juiz, disse advogado a Vorcaro
Estadão revelou conversa entre o advogado Walfride Warde e o banqueiro antes da primeira prisão
Mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, reveladas pelo Estadão, mostram que o seu advogado, Walfride Warde, fez contato telefônico com o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, horas antes do cumprimento da prisão do dono do Banco Master, em 17 de novembro do ano passado.
Os prints das conversas mostram que Warde enviou trechos de seu diálogo com o magistrado às 18h08. “Estamos infernizando o cara”, escreveu o advogado ao cliente.
Em uma das capturas de tela, datada de 16 de novembro, o banqueiro pergunta: “Vocês são próximos? Ricardo Soares Leite, 10 Vara Criminal Federal”.
Para a PF, essa anotação teria sido preparada para envio como mensagem de visualização única no WhatsApp, embora não tenha sido identificado o destinatário.
Segundo a corporação, os fatos indicam que Vorcaro recebeu, por “meios ilícitos”, informações dos procedimentos internos de fiscalização do Banco Central (BC) e do inquérito sigiloso em Brasília.
“Toda a dinâmica revela que Daniel Vorcaro tomou conhecimento prévio da futura operação policial, por meios ilícitos, seja através de servidores do BC, seja através de contato proveniente de Walfrido Warde. Então, passa a atuar em prol de sua defesa, visando frustrar a efetividade da atuação policial”, diz a PF em trecho do relatório enviado ao ministro André Mendonça, do STF.
Às 7h28 do dia seguinte, Vorcaro recebeu uma mensagem de Warde perguntando se ele poderia falar por telefone “para tratar de assunto importante”. Após a conversa, o banqueiro pediu a uma secretária que cancelasse um compromisso: “Não marca mais a reunião porque agora mudei o roteiro”.
Às 8h48, Vorcaro informou ao advogado que já estava providenciando um voo para aquele mesmo dia, saindo de São Paulo.
Segundo os investigadores, Vorcaro teria atuado — por meio do advogado — para tentar impedir a própria prisão e fugir do país. O banqueiro foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos quando tentava embarcar em seu jatinho com destino a Dubai.
Defesas
Em nota, o escritório Warde Advogados afirmou que advogou em favor de Daniel Vorcaro e do Banco Master “absolutamente dentro da lei” e que jamais “participou de atos de obtenção de dados cobertos pelo sigilo legal ou policial”.
Já os advogados de Vorcaro afirmam que entendem “que não cabe comentar conteúdos que decorrem de vazamentos ilegais de material sigiloso”.
“Qualquer manifestação sobre informações obtidas dessa forma apenas reforçaria a disseminação de conteúdos cuja divulgação é, em si, objeto de apuração. Além disso, a comunicação entre cliente e advogado é protegida por prerrogativa legal e constitui garantia essencial do direito de defesa”, afirma a nota.
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