Escola estadual em SP avança 36% em matemática no Saresp
Unidade da capital combinou agrupamento de alunos, plataformas digitais e atividade extracurricular para registrar o maior crescimento da disciplina entre 2023 e 2025
A Escola Estadual Professor Amador dos Santos Fernandes, localizada na capital paulista, registrou crescimento de 36,2% na proficiência em matemática no Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) entre 2023 e 2025.
O 9º ano do Ensino Fundamental obteve 336,4 pontos em 2025, ante 246,9 em 2023. No mesmo período, a média da rede estadual para essa etapa chegou a 260,3 — o maior índice desde a criação da avaliação.
Em língua portuguesa, a escola também avançou: a proficiência subiu de 257,3 pontos em 2023 para 291 em 2025, variação de 13,09%. A unidade atende do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e tem 300 alunos matriculados.
Estratégias pedagógicas e uso de tecnologia
A escola adota, desde 2021, o modelo de tempo integral. Entre as medidas implementadas estão o nivelamento por agrupamento — que reúne estudantes com níveis de aprendizado semelhantes — tutorias e uma aula eletiva denominada “Fundamentos da Matemática”, escolhida pelos próprios alunos.
Plataformas digitais como Matific e TarefaSP foram incorporadas ao currículo. A professora de matemática Adelaide Honório de Oliveira, com 20 anos de rede estadual, explica a integração: “Eu terminei um conteúdo de propriedades da potência e os alunos fizeram a semana dedicada a esse mesmo assunto na Matific. A plataforma está bem alinhada ao Currículo Paulista”.
A preparação para avaliações externas incluiu simulados e encontros aos sábados antes de cada edição da Prova Paulista, a avaliação bimestral da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP).
A escola também participou do Brasileirão Saeb em 2024 — iniciativa da Seduc que transformou a preparação para o Sistema de Avaliação da Educação Básica em competição entre escolas, com foco em português e matemática.
A aluna Maria Luísa França de Sousa, 13 anos, que subiu da nota 5 para a nota 9 em matemática no Saresp, cita as Aulas Olímpicas como parte do percurso: “As Aulas Olímpicas aos sábados me ajudaram bastante”.
As Aulas Olímpicas são atividades extracurriculares da Seduc voltadas a estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio, com foco em raciocínio lógico e resolução de problemas. A edição de 2026 começa em 14 de março, Dia Internacional da Matemática.
Moeda escolar e olimpíadas
O professor de história Silas Maciel dos Santos criou em 2024 o “Amadolar”, moeda impressa e carimbada distribuída aos alunos que concluem atividades e atingem boas notas. Com ela, os estudantes adquirem acesso a espaços de lazer dentro da escola, como a sala de videogame. O projeto foi pensado para um bimestre, mas seguirá em 2025 pelo sucesso obtido.
A iniciativa também se conecta às aulas de educação financeira. Maria Luísa relata mudança de hábito: “Eu recebo uma mesada e antes gastava só com besteira. Hoje eu guardo no cofrinho do banco digital e o dinheiro vai rendendo. Eu até ajudei minha mãe a diminuir gastos com tênis com o que aprendo na aula”.
Em 2025, os alunos conquistaram 27 medalhas na Omasp (Olimpíada de Matemática das Escolas Estaduais de São Paulo). A aluna Giovanna Pereira Atanazio, 14 anos, atribui parte do desempenho à intervenção do professor de matemática Jesus Cintas: “O professor ajudou muito a gente, conversou e falou que estava na hora de a gente acordar, que ele queria que todo mundo fosse bem”.
A diretora Márcia Cavalcante Marcusso aponta a formação dos estudantes sobre os programas da Seduc como ponto de partida do processo: “Se a gente só chegar e falar que eles farão uma prova, ou participarão de uma olimpíada, os alunos não conseguem ter esse discernimento de como isso é importante para eles”.
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Comentários (1)
E o Secretário de Educação era do Paraná, do Governo Ratinho Jr!