Erika Hilton rebate crítica de Nunes: “Pare de falar merda e vá trabalhar”
Prefeito de São Paulo havia dito que desfile em homenagem ao presidente Lula foi "uma afronta à legislação eleitoral"
A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) rebateu nesta segunda-feira, 16, a crítica feita pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Lula (PT) com um samba-enredo eleitoreiro. A parlamentar disse que o chefe do Executivo municipal falou “merda” e acusou a gestão dele de afrontar a legislação.
“Ricardo Nunes, o que afronta a legislação é impedir que meninas tenham acesso ao aborto legal em hospitais municipais pra forçar crianças a terem filhos de estupradores e pedófilos. Que nem a sua gestão fez no Hospital Vila Nova Cachoeirinha. Pare de falar merda e vá trabalhar. De preferência, por São Paulo, a cidade onde você supostamente é prefeito, e não fiscalizando as escolas de samba do Rio”, escreveu a deputada, no X.
Mais cedo, Nunes havia dito que o desfile foi “uma afronta à legislação eleitoral, com ataque a adversários políticos do homenageado, mas que também atinge grande parcela da população que tem opinião política diferente”.
Ainda de acordo com o prefeito de São Paulo, em ano eleitoral, “é um evidente abuso eleitoreiro com o aval de um governo sem limites para tentar se perpetuar no poder”.
O senador Magno Malta (PL-ES) protocolou hoje uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a escola de samba Acadêmicos de Niterói, por causa do desfile.
Na representação, o parlamentar pede que o TSE apure a ocorrência de propaganda eleitoral antecipada e uso indevido de recursos públicos com finalidade eleitoral; e verifique se ocorreu abuso de poder com repercussão na disputa presidencial. Lula vai concorrer à reeleição neste ano.
“No desfile carnavalesco de 2026 promovido pela representada, amplamente divulgado em rede nacional e internacional, foram exibidas alegorias e encenações de conteúdo político-eleitoral direcionado, consistentes na representação do ex-Presidente da República Jair Messias Bolsonaro caracterizado como presidiário, com tornozeleira eletrônica, em contexto de ridicularização pública e associação simbólica à criminalidade”, argumenta o senador, no documento.
“No mesmo desfile, verifico que foi apresentada ala temática em que segmentos religiosos e sociais identificados com posições políticas conservadoras, notadamente evangélicos, foram representados em fantasias de ‘latas de conserva’, em contexto de crítica ideológica direcionada”, pontua.
“Ainda no mesmo desfile, observo que o enredo e as alegorias apresentaram elementos contínuos de exaltação simbólica e narrativa favorável ao atual Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, retratado de forma positiva ao longo da apresentação, em associação a valores de justiça social e libertação política, em contraste com a representação negativa atribuída a seu principal opositor nacional, configurando construção narrativa de natureza político-eleitoral”.
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