Érika Hilton diz que eleição de Campopiano ameaça direitos de pessoas trans
Deputada do Psol afirma que eleita pelo PL representa tentativa de barrar avanços nas pautas trans
A deputada federal reeleita Érika Hilton (Psol-SP) afirmou nesta sexta-feira, 9, que a deputada eleita à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) Eduarda Campopiano (PL-SP) representa uma “ameaça direta” aos direitos das “pessoas trans” com o objetivo de fazê-los “recuar”.
Em entrevista ao portal Metrópoles, a parlamentar afirmou que Campopiano não tem propostas para enfrentar a alta dos casos de feminicídio.
“Nós não discutimos esse tipo de ‘baixeza’ porque o nosso debate é nas ideias, porque mentes grandes e que têm preocupação com o país, debatem projetos, debatem ideias. E tá tudo bem haver discordâncias de ideias, né? Agora, a ascensão desses grupos, para mim, representa uma tentativa de inibir a nossa própria ascensão. É como se dissesse: ‘olha, essas figuras e essas minorias sociais que, até ontem, estavam aprisionadas na prostituição, na marginalidade compulsória, começaram a ganhar espaços. Nós precisamos colocar uma balança para fazer o contraponto”.
“Eu acho que suas eleições representam, sim, uma ameaça direta aos nossos direitos e uma tentativa de nos paralisar, de nos fazer recuar, de fazer com que nossas pautas por dignidade, por cidadania, não avancem e que nós possamos viver o Brasil dos horrores, dos espetáculos, da lacração, o Brasil onde nós aceitamos que pessoas que tenham falas asquerosas e nojentas possam assumir cargos de grande responsabilidade e transforme tudo em dancinhas de TikTok”, disse ela.
PSOL faz denúncia
A psicóloga e ativista Sofia Favero (Psol), eleita deputada estadual por São Paulo no domingo, 4, acionou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra a vereadora e deputada estuadla eleita Eduarda Campopiano (PL), após uma publicação no X em que ela chamou Erika Hilton (Psol-SP) de “homem biológico”.
A representação pede apuração por suposta transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero, e a responsabilização da integrante do PL.
Na publicação no X, na segunda, 5, Campopiano escreveu: “Oi, Erika Hilton. Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs”.
avero ressalta que publicação ultrapassou 3 milhões de visualizações. Segundo a representação, a manifestação nega deliberadamente a identidade de gênero de Erika e utiliza sua condição de mulher trans para atacá-la e atacar toda as mulheres trans.
A denúncia sustenta que o episódio não se limita a uma crítica política ou ao exercício da liberdade de expressão.
A representação cita tanto o artigo 359-P do Código Penal, que criminaliza a violência empregada para restringir ou dificultar o exercício de direitos políticos em razão, entre outros fatores, do sexo, quanto o artigo 326-B – que pune atos de assédio, constrangimento, humilhação, perseguição ou ameaça contra candidata ou detentora de mandato, mediante menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
O Código Penal prevê pena de três a seis anos para o crime do artigo 359-P e de um a quatro anos e multa para o crime do artigo 326-B.
A representação também relembra que o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a homotransfobia ao crime de racismo e argumenta que o ataque não só atinge apenas Erika individualmente, mas também reforça a discriminação contra mulheres trans e travestis.
Para Favero, o uso da identidade de gênero de uma parlamentar como forma de atacá-la no ambiente político deve ser analisada também sob a legislação criada especificamente para combater a violência política contra as mulheres.
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