Episódio de racismo no Shopping de Goiânia repercute na web
O episódio ganhou repercussão após o vídeo de Josi circular em diferentes plataformas, desencadeando uma onda de ataques virtuais.
A modelo negra Josi Albuquerque sofreu ataques racistas nas redes sociais após aparecer em um shopping de Goiânia vestindo roupas de ancestralidade africana, o que gerou comentários ofensivos, ameaças de morte e estupro, inclusive contra sua filha de um ano.
Racismo contra modelo negra em shopping expõe violência nas redes sociais
O episódio ganhou repercussão após o vídeo de Josi circular em diferentes plataformas, desencadeando uma onda de ataques virtuais.
As agressões miraram cor da pele, cabelo e trajes de matriz africana, reforçando estereótipos e a tentativa de deslegitimar a presença de pessoas negras em espaços de consumo e prestígio, como shoppings e eventos de moda.
A modelo havia participado do concurso Miss Afro 2025, em Goiânia, voltado à valorização da estética e cultura afro-brasileira.
Outros participantes também relataram ofensas, evidenciando que a visibilidade negra em concursos e ações publicitárias ainda provoca reações racistas organizadas nas redes.
Quais crimes podem estar envolvidos nos ataques racistas virtuais
Os ataques contra uma modelo negra, em locais públicos ou online, são amparados pela legislação que trata o racismo como crime imprescritível e inafiançável.
Desde 2023, a injúria racial foi equiparada ao crime de racismo, ampliando a responsabilização em ofensas dirigidas à honra por raça, cor, etnia, religião ou origem.
No ambiente digital, um mesmo episódio pode reunir vários tipos penais, a depender do teor, da repetição das mensagens e da coordenação entre perfis. Entre as condutas mais comuns investigadas nesses casos estão:
- Injúria racial: ofensa direcionada a uma pessoa específica com base em elementos raciais;
- Racismo: discriminação ou incitação ao ódio contra grupo racial ou étnico;
- Ameaça: menções a morte, agressão física ou estupro;
- Assédio virtual e perseguição (stalking): repetição insistente de ofensas e intimidações.
Como é a investigação policial em casos de racismo online contra modelos negras
O primeiro passo para vítimas é registrar boletim de ocorrência, apresentando provas como prints, links, vídeos e depoimentos.
No caso de Josi, o registro foi feito na DEACRI, delegacia especializada em crimes raciais e de intolerância, o que favorece análise técnica do material e adoção de medidas de proteção.
As investigações costumam incluir coleta de evidências digitais, requisição de dados a plataformas para identificação de perfis e IPs, oitivas de vítimas e testemunhas e eventual indiciamento de suspeitos, com posterior envio ao Ministério Público para oferecimento de denúncia.
Qual é o papel de delegacias especializadas e do Ministério Público
Delegacias especializadas em crimes de ódio, como a DEACRI em Goiás, concentram conhecimento técnico sobre legislação antirracista e procedimentos de perícia digital.
Elas também orientam vítimas sobre medidas protetivas, inclusive quando há risco concreto decorrente de ameaças de morte ou estupro.
O Ministério Público analisa o inquérito, define o enquadramento jurídico e pode propor ações penais e civis.
Em alguns casos, são firmados termos de ajustamento de conduta com plataformas e instituições para melhorar canais de denúncia e resposta a conteúdos racistas.
Que impactos sociais têm casos de racismo contra modelos negras
Casos de racismo direcionado a modelos negras em concursos, desfiles e campanhas atingem não só as vítimas, mas todo um grupo social que vê sua presença em espaços de visibilidade sendo contestada.
A publicização das denúncias pressiona empresas, shoppings e organizadores de eventos a rever políticas internas de atendimento, segurança e diversidade.
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