Entidades judaicas condenam atentado em Sydney: “Antissemitismo explodiu pelo mundo”
Ataque a tiros na praia de Bondi é considerado o pior em décadas na Austrália
A CONIB (Confederação Israelita do Brasil) e a Federação Israelita do Estado de São Paulo expressaram neste domingo, 14, indignação e pesar diante do ataque terrorista ocorrido durante uma celebração judaica na praia de Bondi, em Sydney, a mais famosa da Austrália.
CONIB
Em nota, a CONIB manifestou “profunda consternação e solidariedade à comunidade judaica da Austrália diante do atentado ocorrido durante o evento de acendimento da primeira vela de Chanucá, em Bondi Beach, que deixou mais de dez mortos segundo as primeiras informações”.
O texto da confederação ressaltou que “o que deveria ser um momento de celebração da vida, da fé e da luz foi brutalmente interrompido pelo ódio. Famílias foram atingidas, pessoas ficaram feridas e uma comunidade inteira foi marcada pela violência em um momento sagrado.”
“Atacar judeus enquanto celebram sua fé não é apenas um crime contra indivíduos ou contra uma comunidade específica. É um ataque aos valores mais fundamentais da convivência democrática, à liberdade religiosa e ao direito de viver sem medo.
Desde os ataques do Hamas contra Israel em outubro de 2023, o antissemitismo explodiu pelo mundo. A campanha de vilificação de Israel têm como consequência ataques letais contra comunidades judaicas em várias partes do globo, como vimos na Austrália agora, mas também nos EUA e na Europa.”
Federação Israelida do Estado de São Paulo
Já a Federação Israelita do Estado de São Paulo afirmou que “a repetição da violência, agora em outro continente, evidencia que não se trata de fatos isolados, mas de uma escalada global do antissemitismo, cada vez mais explícito, normalizado e letal”.
“Atacar judeus em momentos de celebração religiosa é uma tentativa direta de impor o medo, de restringir a liberdade de existir e de expressar uma identidade milenar. É o ódio operando de forma aberta, mirando famílias, jovens e crianças que estavam reunidos apenas para celebrar sua fé e sua história.
A Federação Israelita do Estado de São Paulo expressa sua total solidariedade às vítimas, aos feridos, às famílias enlutadas e a toda a comunidade judaica da Austrália. Ao mesmo tempo, faz um alerta claro às autoridades e à sociedade internacional: a tolerância ao discurso de ódio tem consequências reais e violentas. O silêncio e a relativização diante do antissemitismo custam vidas.
Chanuká nos ensina que a luz persiste mesmo nas horas mais sombrias. Neste momento de dor, as velas acesas ao redor do mundo tornam-se também um símbolo de coragem, de memória e de compromisso com a defesa da vida, da liberdade religiosa e da dignidade humana.”
Ataque terrorista
O ataque na praia de Bondi deixou ao menos 12 mortos e 29 feridos, e é considerado o pior ataque a tiros em décadas na Austrália.
Homens armados abriram fogo durante o evento de Chanucá, que deveria ser um momento de celebração da fé.
A polícia do estado de Nova Gales do Sul informou que duas pessoas foram detidas. Um dos atiradores foi morto; o governo classificou o episódio como um ato terrorista. Pelo menos dois criminosos participaram da ação, e investiga-se a participação de um terceiro suspeito.
Mike Burgess, funcionário da inteligência australiana, disse que um dos suspeitos era conhecido das autoridades, mas não considerado uma ameaça imediata. As identidades dos autores e das vítimas não foram divulgadas, mas ao menos um cidadão de Israel morreu no ataque.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, chamou o episódio de “chocante e angustiante” e classificou o ataque como direcionado contra judeus australianos.
“Um ato de maldade, antissemitismo e terrorismo que assola o coração de nossa nação”, disse.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, criticou a política australiana, acusando o governo de alimentar o antissemitismo.
“Há três meses, escrevi ao primeiro-ministro australiano dizendo que sua política está jogando gasolina no fogo do antissemitismo. O antissemitismo é um câncer que se espalha quando os líderes se calam e não agem”, afirmou.
Durante o ataque, vídeos que circulam nas redes sociais mostram pânico entre banhistas e turistas. Em uma gravação, um homem de camiseta branca imobiliza um dos atiradores e lhe toma a arma, enquanto outro suspeito é visto disparando de uma passarela antes de ser atingido pela polícia.
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