Entidade judaica vê “preconceito e xenofobia” em Itacaré
Manifestação pró-Palestina organizada por deputado do PSOL termina em confusão; turistas israelenses foram detidos
A Sociedade Israelita da Bahia acusou os organizadores de uma manifestação pró-Palestina realizada em Itacaré, no litoral sul do estado, de promover “preconceito racista, xenofobia e discórdia”. Em nota divulgada nesta quarta-feira, 18, a entidade afirmou que os atos, realizados sob o nome “Turismo Ético na Bahia”, sugeriram à população local que evitasse receber visitantes de Israel.
O presidente da entidade, Mauro Brachmans, classificou as manifestações como “preconceituosas e xenofóbicas” e questionou a justificativa de que as ações seriam direcionadas ao sionismo, e não aos judeus como grupo.
Na nota, a Sociedade declarou que os participantes do protesto “apenas odeiam o povo judeu”. A entidade também apontou que as críticas se voltaram exclusivamente a turistas israelenses, sem menção a cidadãos de outros países envolvidos em conflitos armados.
O episódio que motivou a reação
O estopim foi um confronto ocorrido no sábado, 14, na praça da Pituba, em Itacaré. Três turistas israelenses entraram em conflito com manifestantes durante o protesto e, ao serem abordados por policiais militares, reagiram de forma hostil. Foram conduzidos à delegacia por desacato e resistência, ouvidos e liberados no mesmo dia.
O ato foi organizado pelo deputado estadual Hilton Coelho (PSOL), com participação de movimentos sociais, lideranças locais e o ativista Thiago Ávila. Segundo o parlamentar, a escolha dos locais levou em conta o fluxo de visitantes israelenses na região.
A Sociedade Israelita informou que as manifestações tiveram baixa adesão e foram acompanhadas por demonstrações de apoio aos turistas por parte de moradores e outros visitantes.
Na terça-feira, 17, vereadores de Itacaré debateram o impacto do episódio em sessão na Câmara Municipal.
O vereador Cláudio Maurício (PV) destacou que cerca de 3.000 israelenses visitam o município por ano, com estadias de até três meses. O presidente da Casa, Renilson Costa (PSD), classificou o caso como “muito triste” e sinalizou a possibilidade de convocar representantes das forças de segurança para prestar esclarecimentos ao Legislativo.
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