Entenda o caso Embelleze
Investigação revela manipulação e desvio de R$ 122 milhões do fundador da gigante dos cosméticos
O caso envolvendo a fortuna de Itamar Serpa Fernandes, fundador da Embelleze, expôs um intricado esquema de manipulação emocional e financeira que, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), se estendeu por mais de uma década e resultou no desvio de ao menos R$ 122 milhões do patrimônio do empresário.
A denúncia foi formalizada em 8 de abril de 2025 e atinge três pessoas próximas a Itamar: a ex-mulher Monique Elias Palheiras, seu atual marido Matheus Elias Palheiras e seu filho adotivo, João Carlos Tavares Serpa.
Fundada em 1969, a Embelleze é uma das maiores fabricantes brasileiras de cosméticos, com faturamento anual estimado em R$ 500 milhões e pertencente a um conglomerado avaliado em R$ 1 bilhão.
Desde 2017, havia conflitos familiares em torno da sucessão do grupo, mas as investigações revelaram que a disputa pelo controle e pelo espólio do empresário envolveu práticas fraudulentas iniciadas ainda em 2012.
Monique Elias conheceu Itamar Serpa quando era estagiária na Defensoria Pública de Nova Iguaçu. Nascida na periferia de Nilópolis, ela ascendeu socialmente após o relacionamento com o empresário, passando a usufruir de uma vida de luxo com gastos mensais de cerca de R$ 200 mil, segundo a polícia.
A investigação conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) indica que Monique criou uma identidade falsa, chamada “Jéssica Ferrez”, usada para enviar milhares de e-mails ao empresário ao longo de mais de dez anos.
Essas mensagens falsas reforçavam a imagem de Monique como confiável, ao mesmo tempo em que minavam a reputação de familiares e amigos de Itamar.
O objetivo, segundo o MPRJ, era isolar o empresário emocionalmente e influenciar suas decisões patrimoniais, incluindo alterações em testamentos, apólices de seguro e transferência de ativos.
A filha do empresário, Daniele, foi uma das principais vítimas da estratégia, frequentemente retratada como “interesseira” nos e-mails enviados pela personagem fictícia.
Com Itamar cada vez mais isolado, Monique teria induzido o empresário a realizar transferências milionárias em vida e a beneficiá-la em diversos contratos.
De acordo com os investigadores, ela recebeu cotas da Embelleze avaliadas em R$ 74,5 milhões, além de propriedades e valores provenientes de seguros de vida.
Durante a hospitalização de Itamar, em junho de 2023, Monique teria proibido a visita de seus filhos e irmãos. Nesse período, o filho adotivo João Carlos foi identificado realizando 21 transferências bancárias não autorizadas que somam mais de R$ 415 mil.
A morte de Itamar ocorreu em 18 de julho de 2023. No próprio dia de seu falecimento, foram registradas movimentações bancárias em seu nome.
A denúncia do MPRJ aponta para um desvio total de R$ 122,4 milhões. Entre os bens repassados, além das cotas da empresa, estão um apartamento na Barra da Tijuca e uma fazenda em Valença, no Sul Fluminense.
A promotoria acusa o trio de estelionato e organização criminosa e solicitou medidas cautelares à Justiça.
Contra Monique e João Carlos, foram pedidas a apreensão dos passaportes, proibição de entrada na sede da Embelleze, afastamento das redes sociais, proibição de contato com testemunhas e comparecimento mensal ao juízo.
Já para Matheus, foi solicitado o decreto de prisão preventiva, com base em transferências que ele recebeu semanas antes da morte do empresário. Ele já havia sido preso anteriormente por porte ilegal de armas pertencentes a Itamar e por estar dirigindo um carro registrado como furtado.
A defesa de Monique e João Carlos nega as acusações e afirma que os dois tiveram seus direitos violados durante a investigação.
A empresa Embelleze declarou que acompanha o caso, que seria de natureza familiar e sem relação direta com as operações da companhia. Em nota, reafirmou seu compromisso com padrões éticos e de governança.
Especialistas apontam que medidas preventivas poderiam ter evitado parte dos conflitos. Enquanto isso, a sucessão da Embelleze segue indefinida, em meio a disputas judiciais e investigações criminais.
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Comentários (1)
Denise Pereira da Silva
09.04.2025 08:34Que coisa nojenta o ser humano pode se revelar diante da ganância financeira.