Entenda o caso do deputado ligado ao Comando Vermelho preso no RJ
Operações miram elo político da facção e bloqueiam R$ 40 milhões
O deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias (MDB), foi preso na quarta, 3, no Rio de Janeiro. A ação fez parte da Operação Zargun, da Polícia Federal, e da Operação Bandeirante, do Ministério Público do Rio de Janeiro.
A Operação Zargun cumpriu 18 prisões preventivas e 22 buscas. Por ordem do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), houve bloqueio e sequestro de bens e valores que somam R$ 40 milhões. O foco é desarticular o braço político e financeiro do Comando Vermelho.
De acordo com os investigadores, o parlamentar intermediou a venda de dois fuzis por R$ 120 mil. Também negociou equipamentos antidrones importados da China, revendidos por valores muito superiores ao custo. O objetivo era neutralizar drones policiais em operações em comunidades.
O MPRJ afirma que o deputado nomeou aliados na Assembleia Legislativa do Rio para dar suporte ao esquema.
Entre os nomeados está o assessor Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, apontado como fornecedor de dispositivos antidrones. Houve busca e apreensão no gabinete do parlamentar.
Relatórios e interceptações citados pelas autoridades descrevem negociação direta de armas e drogas. Os autos registram vazamento de informações sobre operações policiais.
Instituições financeiras comunicaram movimentações atípicas em empresas ligadas ao investigado.
O principal alvo foi localizado em um condomínio na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. A PF informou saldo de 15 presos ao fim do dia e transferências de lideranças da facção para presídios federais.
O material apreendido será periciado para rastrear rotas, fornecedores e financiadores.
Quem é TH Joias
A trajetória política do deputado começou em 2022, como suplente.
Em 2017, ele foi preso e condenado por crimes ligados ao tráfico, ficando quase um ano detido antes de obter habeas corpus.
Em nota, o MDB comunicou a expulsão imediata do parlamentar.
O governo do Rio informou que Rafael Picciani deixa a Secretaria de Esporte e reassume o mandato na Alerj.
A Alerj e o crime organizado
Não é a primeira vez que deputados da Alerj são investigados por envolvimento com o crime organizado.
Em 2018, a Operação Furna da Onça, conduzida por PF e Ministério Público Federal, prendeu dez parlamentares e revelou rede de propina e loteamento de cargos.
Em 2023, a deputada Lúcia Helena Pinto de Barros, a Lucinha (PSD), foi afastada na Operação Batismo por atuar como “braço político” da milícia de Zinho, segundo a PF e o MPRJ.
Conversas interceptadas mostraram pedidos para interceder por comparsas presos; o Conselho de Ética da Alerj arquivou processo contra ela em 2024.
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