Entenda como a PF leu as mensagens apagadas do Whatsapp de Bolsonaro
Parecer descreve cópia forense do celular e recuperação de dados locais, sem quebra da criptografia ponta a ponta
A Polícia Federal recuperou conversas do WhatsApp do ex-presidente Jair Bolsonaro a partir do celular apreendido e incluiu esse material no relatório final enviado ao Supremo Tribunal Federal na noite de quarta, 20.
Segundo o documento, as mensagens foram extraídas por acesso direto ao aparelho e servem para instruir investigações por coação no curso do processo e obstrução de investigação. O procedimento não envolveu interceptação do tráfego de dados nem violação da criptografia entre remetente e destinatário.
A criptografia de ponta a ponta protege a mensagem enquanto ela viaja entre dois telefones. Só o dispositivo de quem envia e o de quem recebe têm as chaves que destravam o conteúdo.
Nem a empresa do aplicativo (Meta), nem autoridades, conseguem abrir esse cadeado no caminho.
Ao apreender um aparelho com autorização judicial, peritos conseguem criar uma cópia fiel da memória e analisar os arquivos locais do WhatsApp. Foi por aí que a PF chegou às conversas.
O relatório registra que parte das mensagens tinha sido apagada pelo usuário, mas pôde ser reconstruída na análise dos bancos de dados salvos no aparelho.
O WhatsApp usa arquivos internos para organizar conversas, contatos e anexos.
Quando alguém apaga um item, ele some da tela, só que rastros podem ficar por um período em áreas temporárias e em espaços já marcados como livres.
Softwares forenses leem esses arquivos, conferem horários e identificadores e remontam o histórico. É como recuperar um rascunho que ainda estava na lixeira antes de ser sobrescrito.
Há limites técnicos. A perícia relata que alguns áudios e mídias não puderam ser restaurados, seja porque os arquivos já tinham sido substituídos pelo uso cotidiano, seja por estarem protegidos por chaves locais da instalação do aplicativo.
Quanto mais tempo passa e quanto mais o telefone é utilizado, menor a chance de resgate.
O tipo de memória também pesa, já que tecnologias atuais distribuem a escrita por vários blocos e fazem limpezas automáticas que apagam de vez dados antigos.
O passo a passo seguido pelos peritos é padronizado.
Primeiro, o isolamento do aparelho para impedir alterações remotas. Depois, a extração em ambiente controlado e a geração de códigos de integridade que provam que nada foi mudado durante o processo.
Em seguida, a análise em estações dedicadas, com leitura dos bancos de dados, dos logs do sistema, que são registros técnicos, e a montagem de uma linha do tempo que cruza mensagens, contatos e eventos do próprio telefone.
O que a PF descreve no relatório é o uso de técnicas de extração e de leitura de arquivos locais para reconstruir conversas relevantes à investigação.
Não houve “quebra” da criptografia do WhatsApp. Houve perícia no dispositivo físico, baseada em cópia forense e em métodos reconhecidos para recuperar dados que o usuário considerava apagados.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (6)
Fabio B
21.08.2025 17:44Boa, Simonton. Mas não foi só falta de ética, tem muita burrice misturada com a desonestidade também. O Bolsonaro vive enroscado e na mão dessa gente toda porque sempre deixa rastro dos seus malfeitos. E mesmo agora, a essa altura do campeonato, sabendo que estava sendo investigado, achou que bastaria apagar suas mensagens pra esconder suas maquinações. Até pra mentir e roubar precisa ter um mínimo de inteligência.
Simonton Eler De Melo
21.08.2025 15:36Se vc não quer ser investigado por qualquer orgão policial e persecutório, não faça bobagem e ande certo. Isto chama-se ÉTICA e comportamento MORAL Correto. Se personagem que querem ser públicos, maior ainda deve ser a correção. Em publico e PRIVADO. A coleta do Celular pela PF se deu em instrução criminal. Se já estava sendo investigado, mais cuidado ainda. O que caso demonstra é TOTAL FALTA DE COGNIÇÃO DE TODOS. (Falando claramente - COMO SÃO BURRROS);
saul simoes junior
21.08.2025 13:56Como um órgão de imprensa acha normal a PF pegar o celular de alguém e publicar o seu conteúdo. Em que mundo estamos!!!
Annie 40
21.08.2025 13:26PF e Moraes tentando dar uma consistencia a esse inquerito.
Roberval
21.08.2025 13:15Nosso supremo é o supremo do whatsapp. O pior: nossa pf, também é a pf do whatsapp. Comédia ou terror? Democracia ou Ditadura?
Angelo Sanchez
21.08.2025 13:08Numa ditadura tudo é possível, a liberdade de expressão não mais existe. Tudo indica que a prisão de Bolsonaro vai gerar conflitos nas ruas. Deus nos proteja.