Embaixador da Ucrânia convida Lula a “testemunhar os efeitos devastadores da guerra”
Ele argumentou que tal visita seria uma oportunidade valiosa para Lula fortalecer seus argumentos durante o diálogo com Putin, programado para ocorrer entre os dias 8 e 10 de maio
O embaixador da Ucrânia no Brasil, Andrii Melnik, teve uma reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin, na última segunda-feira, 28 de abril, na qual sugeriu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que considere uma visita à capital ucraniana, Kiev, antes de seu encontro agendado com o ditador da Rússia, Vladimir Putin.
Embora não tenha estabelecido datas específicas, Melnik enfatizou que os líderes brasileiros são bem-vindos a qualquer momento na Ucrânia.
Ele argumentou que tal visita seria uma oportunidade valiosa para Lula fortalecer seus argumentos durante o diálogo com Putin, programado para ocorrer entre os dias 8 e 10 de maio.
O embaixador mencionou: “Talvez agora nas próximas semanas, porque sabemos que haverá uma visita a Moscou. Por que não visitar a Ucrânia e Kiev antes disso? É uma chance de conversar com o presidente Volodimir Zelenski, conhecer as realidades do povo ucraniano e testemunhar em primeira mão os efeitos devastadores da guerra. Isso proporcionaria ao presidente Lula uma perspectiva mais profunda e um argumento moral mais forte ao encontrar Putin.”
Lula pró-Rússia
A guerra entre Rússia e Ucrânia se arrasta desde fevereiro de 2022. A postura do governo brasileiro tem sido tendenciosa, com forte inclinação pró-Russia.
O governo brasileiro já enfrentou críticas por adotar uma abordagem considerada favorável a Moscou por alguns setores da União Europeia e inclusive do próprio Zelensky.
Lula defende que desde o início do conflito, o Brasil condenou a invasão russa. No entanto, ele já havia sugerido a realização de um referendo nas áreas invadidas para decidir sobre a soberania territorial — proposta que Putin também ventilou, mas que foi amplamente rejeitada pela comunidade internacional como sendo ilegítima.
A estratégia brasileira tem sido aparentar neutralidade e dizer-se favorável às negociações de paz, buscando reunir as partes envolvidas em um diálogo construtivo.
Os Estados Unidos atualmente tentam mediar o acordo de paz, mas as concessões exigidas são impraticáveis do ponto de vista da Ucrânia, que vê a entrega de territórios invadidos como mera capitulação.
Zelenski também tem rejeitado os acordos porque não garantem a retirada das tropas russas e a segurança da Ucrânia. O presidente ucraniano conta com o apoio dos líderes europeus nesse sentido.
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