Emails indicam que Flávio dividia conta com investigado na fraude do INSS
Mensagens apreendidas pela PF citam pedido para retirar o nome do senador de conta ligada a Willer Tomaz; ambos negam vínculo financeiro
E-mails apreendidos pela Polícia Federal indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria compartilhado uma conta bancária com o advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a fraudes no INSS.
Segundo reportagem do UOL, a correspondência inclui um pedido para retirar o nome de Flávio de uma conta associada ao advogado.
As mensagens foram encontradas em arquivos do iCloud examinados durante a investigação.
Ainda de acordo com o portal, uma funcionária do escritório de Tomaz escreveu a um banco para solicitar a exclusão da “conta Flávio Bolsonaro” do “usuário master”, expressão vinculada ao advogado.
A correspondência envolvia uma conta relacionada à Alcazar Holdings, holding sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual Tomaz é sócio.
O material ainda não levou os investigadores a uma conclusão definitiva. A PF considera necessário aprofundar o rastreamento.
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Flávio e advogado negam vínculo
A assessoria de Flávio afirmou que o senador “nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas”.
A equipe também classificou as acusações como falsas e disse que a divulgação teria motivação eleitoral.
Tomaz negou ter compartilhado uma conta com o senador.
“Entre os dois há apenas amizade, sem relação comercial ou financeira”, disse em nota por meio de sua assessoria.
A defesa afirmou ter adotado medidas criminais contra a publicação das acusações e disse que a PF abriu investigação sobre o vazamento de informações sigilosas.
Fraudes no INSS
Tomaz foi alvo de buscas em 4 de agosto, no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes e desvios estimados em R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas por meio de descontos ilegais.
A PF o descreveu como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” a serviço de outros investigados.
O advogado é suspeito de lavar recursos desviados da Previdência a mando do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Weverton nega irregularidades e afirma estar à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
Trânsito entre políticos
Willer Tomaz mantém relações com parlamentares de diferentes campos políticos e já atuou em articulações para indicações a tribunais superiores.
Durante o governo Jair Bolsonaro, tentou viabilizar a indicação do então procurador-geral da República Augusto Aras ao Supremo Tribunal Federal, mas a vaga acabou sendo ocupada por André Mendonça.
O advogado também esteve entre os cotados para uma vaga no Conselho Nacional de Justiça destinada à Câmara dos Deputados, mas desistiu após a repercussão de seu nome.
Em 2017, foi preso na Operação Patmos, que investigou suspeitas de intermediação no vazamento de informações sigilosas do Ministério Público Federal. A denúncia contra ele foi rejeitada pela Justiça.
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