Eleições húngaras preocupam Lula
Planalto monitora votação de domingo para avaliar capacidade do governo Trump de interferir em processos eleitorais de aliados
O governo Lula transformou as eleições parlamentares da Hungria, marcadas para este domingo, 12, em objeto de análise política. No Palácio do Planalto, o resultado das ações do governo Trump em favor de Viktor Orbán pode indicar maior ou menor interferência nas eleições do Brasil em outubro.
A visita do vice-presidente americano J. D. Vance a Budapeste, nesta semana, para um comício ao lado do primeiro-ministro húngaro, aumentou a preocupação. “O presidente ama você”, disse Vance a Orbán durante o encontro. O secretário de Estado, Marco Rubio, esteve no país antes, também fazendo campanha abertamente pelo líder do Fidesz.
Washington entra na campanha
Segundo a Folha, aliados de Lula avaliam que, mesmo que Trump não interfira pessoalmente no processo eleitoral brasileiro, agentes menos graduados do governo dos Estados Unidos podem agir por conta própria.
O Departamento de Estado, segundo essa avaliação, concentra parte dos quadros mais alinhados ao trumpismo mais radical — o que, na leitura do governo brasileiro, amplia o risco de iniciativas não coordenadas com a Casa Branca, mas igualmente capazes de impactar o pleito de outubro.
O receio persiste mesmo diante de uma relação que o Planalto classifica como cordial entre Lula e Trump ao longo de 2025. A proximidade diplomática não foi suficiente para dissipar a desconfiança sobre as eleições.
Hungria como referência
A Hungria ocupa um lugar importante na geopolítica da direita global. Em março deste ano, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, participou da CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora). Na ocasião, afirmou que “a comunidade internacional se une em resgatar a democracia brasileira, trabalhando para que tenhamos eleições limpas e transparentes”.
Em 2024, o próprio Jair Bolsonaro passou dois dias na embaixada húngara em Brasília após a Polícia Federal apreender seu passaporte no âmbito da investigação sobre a trama golpista — investigação que culminaria, em 2025, em sua condenação. O episódio foi interpretado no meio político como tentativa de se proteger de uma prisão naquele momento.
O termômetro europeu
O resultado das eleições húngaras também interessa ao governo brasileiro como indicador mais amplo sobre o avanço da direita na Europa. A avaliação do Planalto é que esse movimento tem encontrado resistência em diferentes países: as eleições municipais na França registraram desempenho abaixo do esperado para o partido de Marine Le Pen, e o referendo constitucional na Itália representou uma derrota para a primeira-ministra Giorgia Meloni.
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