Efeito Afonso Motta: Deputados querem resgatar PEC da blindagem
São ao menos 20 casos de supostos desvios de emendas parlamentares tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF). Proposta freia ação da PF nas dependências do Congresso Nacional
Deputados tentam retomar a discussão sobre a “PEC da Blindagem” em resposta a diversas investigações, que já somam ao menos 20 casos de supostos desvios de emendas parlamentares no Supremo Tribunal Federal (STF). O intuito da proposta é definir novas normas para o controle de operações policiais contra membros do Congresso, além de restringir a realização de buscas e apreensões nas dependências da Câmara e do Senado.
A recente operação da Polícia Federal (PF), que indiciou um assessor do deputado Afonso Motta (PDT-RS), gerou um desconforto generalizado entre os parlamentares. No entanto, líderes partidários adotaram uma postura de cautela diante dos fatos. Embora a ação tenha causado “constrangimento” aos envolvidos, muitos congressistas avaliam que a resposta a esse episódio deva ser mais estratégica e a médio e longo prazo.
Caso Júnior Mano
O STF também deu início a uma nova apuração envolvendo o deputado Júnior Mano (PSB-CE), em razão de uma emenda que ele teria indicado. O ministro Gilmar Mendes determinou que a investigação fosse conduzida pela Corte e exigiu que, em 15 dias, a PF apresentasse um relatório preliminar, detalhando as provas coletadas e as diligências ainda em andamento.
Novo acordo com o Supremo
Uma das questões que tem dominado os debates entre os parlamentares é a possibilidade de buscar um acordo entre o Congresso e o STF para ampliar a imunidade parlamentar e estabelecer restrições para as ações policiais. A possibilidade levantada por Arthur Lira (PP-AL) enquanto presidia a Câmara, em 2021, foi engavetada por causa de divergências internas e da pressão exercida pelo Judiciário.
Dentro da Câmara, cresce a pressão para que a “PEC da Blindagem” seja finalmente colocada em votação. A demanda tem se intensificado, especialmente após o enfrentamento de parlamentares da oposição, como Carlos Jordy (PL-RJ) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), que foram alvo de operações da PF no ano passado.
“Temos que encontrar um equilíbrio entre não interferir nos espaços institucionais e ao mesmo tempo não diminuir o combate à corrupção. Um ajuste fino com o STF, tenho certeza que o Hugo (Motta) vai tratar bem sobre isso”, disse Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido de Jair Bolsonaro.
Caso Afonso Motta
A operação da PF realizada na semana passada para investigar um possível desvio de 6% das emendas indicadas por Afonso Motta para um hospital no Rio Grande do Sul gerou repercussão. A investigação apontaria um esquema envolvendo um lobista e um assessor do parlamentar, embora ele próprio não tenha sido alvo da ação e negue qualquer envolvimento. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF, e, embora não tenha implicado buscas nas dependências da Câmara, o receio de que isso ocorra no futuro tem gerado apreensão em muitos parlamentares.
Veja também: Desvio de emendas: assessor de deputado é alvo de buscas no RS
Deputado teria pedido a troca do destino de emenda para viabilizar esquema
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Comentários (1)
Carlos Renato Cardoso Da Costa
18.02.2025 05:48Os bolsopetistas já devem estar esfregando as mãos.