Eduardo Bueno é indiciado por fala contra voto evangélico
Polícia do Rio Grande do Sul aponta discriminação religiosa em vídeo publicado pelo jornalista e escritor gaúcho nas redes sociais
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou o jornalista e escritor Eduardo Bueno por discriminação religiosa nesta quinta-feira, 7, após investigação sobre um vídeo em que o autor defendia a restrição do direito ao voto para pessoas evangélicas.
O inquérito, aberto por representação de dois políticos gaúchos, resultou também na remoção da gravação das plataformas digitais por determinação judicial. Durante depoimento à polícia, Bueno optou por não se manifestar.
A defesa e o argumento jurídico
Os advogados Alexandre Wunderlich e Camile Eltz de Lima divulgaram nota em que rejeitam a caracterização de crime.
Segundo eles, “a manifestação ocorreu dentro dos limites legais do exercício da liberdade de expressão e da manifestação do pensamento, trata-se de direito de crítica abstrata, tendo clara finalidade jocosa”. A defesa acrescentou que “não ocorreu preconceito à liberdade religiosa” e que “o indiciamento será revisto no Judiciário”.
O caso chegou à polícia após iniciativa do vereador de Porto Alegre, Tiago Albrecht (NOVO), e da deputada federal suplente, Samila Monteiro (NOVO). À época da abertura do inquérito, Albrecht classificou as declarações do escritor como “um ataque direto à dignidade de milhões de brasileiros”.
Quem é Eduardo Bueno
Natural de Porto Alegre, Eduardo Romulo Bueno tem 67 anos e carreira que inclui jornalismo, literatura e tradução. Escreveu livros que se tornaram best-sellers. Formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atuou em diferentes veículos de comunicação ao longo das décadas. Atualmente, é responsável pelo canal Buenas Ideias no YouTube, voltado à história do Brasil e com mais de um milhão e meio de inscritos.
O indiciamento representa uma etapa do inquérito policial e não equivale a condenação. Caberá ao Ministério Público analisar o caso e decidir pelo oferecimento ou não de denúncia formal perante o Judiciário.
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