Ed Motta presta depoimento e nega ofensas em restaurante
Cantor admitiu ter arremessado cadeira e afirmou ter se sentido “desprestigiado” com cobrança de taxa; caso é investigado como injúria por preconceito
O cantor Ed Motta compareceu nesta terça-feira, 12, à 15ª Delegacia de Polícia, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro, para prestar depoimento sobre o episódio ocorrido na madrugada de 2 para 3 de maio no restaurante Grado, no Jardim Botânico.
Acompanhado de dois advogados, o artista ficou cerca de duas horas na unidade policial e reconheceu parte dos fatos, mas recusou as acusações mais graves que pesam contra ele — entre elas, a de ter proferido insultos de cunho xenofóbico contra um funcionário da casa.
O que o cantor admitiu
Durante o depoimento, Ed Motta confirmou que reagiu com irritação à cobrança de uma taxa de rolha cobrada pela mesa naquela noite. Segundo seu relato, a cobrança o surpreendeu, pois nunca havia sido aplicada em visitas anteriores.
O gerente do estabelecimento teria explicado que a taxa incide quando o cliente está acompanhado — no caso, eram sete pessoas ao todo. O cantor afirmou ter dito aos funcionários que nunca mais voltaria ao local.
O artista também admitiu que, tomado pela agitação do momento, pegou uma cadeira e a lançou ao chão, atingindo as costas de um garçom de raspão. Disse que não havia intenção de acertar ninguém. Ao se retirar do salão, esbarrou em uma mesa ocupada por dois casais, sem perceber que uma bolsa havia caído no chão em razão do contato.
O que o cantor não admitiu
Segundo O Globo, a parte mais delicada do depoimento envolveu as acusações de injúria por preconceito. O barman do Grado relatou à polícia que Ed Motta o chamou de “paraíba” em diversas ocasiões durante a discussão, com frases como “Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas” e “Cambada de paraíba”. O funcionário afirmou ainda que episódios anteriores de provocação já haviam ocorrido.
Ed Motta negou as ofensas e classificou as acusações como “injustas” e “infundadas”, argumentando ser “neto de baiano” e “bisneto de cearense”. Declarou-se negro e gordo e disse repudiar “qualquer tipo de preconceito”.
O dono do restaurante, Nello Garaventa, entregou à polícia áudios atribuídos ao cantor — incluindo um gravado no ano anterior em que ele se refere ao mesmo funcionário com linguagem ofensiva.
O caso é investigado com base no artigo 2º-A da Lei 7.716/89, que tipifica injúria por preconceito com pena de um a três anos de reclusão.
A confusão teve desdobramentos após a saída do cantor: um advogado que integrava seu grupo agrediu outro cliente com socos e arremessou uma garrafa, deixando-o com ferimento na cabeça que exigiu seis pontos. A investigação prossegue com outros depoimentos ainda a serem colhidos.
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Comentários (2)
Abusado, tem que sofrer algum tipo de punição, artista também tem que servir de exemplo.
Marian
12.05.2026 20:24Desprestigiado? Isso justifica o arremesso da cadeira e possíveis ofensas?