“É preciso que responda por aquilo que fez”, diz Gonet sobre Bolsonaro
Procurador-geral da República defende que ex-presidente seja julgado pelo Supremo Tribunal Federal
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu neste sábado, 12, que Jair Bolsonaro (PL) seja julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na sexta, a Corte abriu a ação penal contra o ex-presidente e outros sete réus acusados de integrarem o núcleo central da trama golpista de 2022.
“Quando se trata de alguma coisa de grande magnitude, não importa que o mandato tenha terminado ou não, é preciso que o presidente responda por aquilo que ele fez durante o seu mandato e faça isso perante a mais alta Corte do país. Acho que nós estamos vivendo esse instante”, afirmou o procurador-geral durante a Brazil Conference, em Harvard, nos Estados Unidos.
Gonet disse ainda que é necessário equilibrar a credibilidade de um chefe de Estado com a responsabilização de seus atos.
“O que existe aí é uma ponderação entre as necessidades de um chefe de governo, de um chefe de Estado forte e capaz de discutir, de apresentar as suas razões com credibilidade, e a necessidade de que todos sejam efetivamente responsabilizados por aquilo que tiver feito de errado.”
O procurador-geral participou de um painel ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
STF abre ação penal contra Bolsonaro
A fala ocorre em meio à ação penal aberta na sexta-feira, 11, pelo STF contra Bolsonaro e outros sete aliados, acusados de integrar o núcleo central da tentativa de golpe em 2022. A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi aceita por unanimidade pela Primeira Turma do Supremo.
Além de Bolsonaro, viraram réus o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), os ex-ministros Anderson Torres, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Braga Netto, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que será o primeiro a depor por ter fechado acordo de delação.
O processo, que correrá sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, prevê audiências por videoconferência. As defesas devem ser apresentadas nos próximos cinco dias. Segundo Moraes, os réus poderão indicar provas e arrolar testemunhas.
Os denunciados respondem por cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência e ameaça, e deterioração de patrimônio tombado. As penas podem ultrapassar 40 anos de prisão.
A expectativa é que o STF julgue o mérito da denúncia ainda em 2025, antes do início do calendário eleitoral. A defesa de Bolsonaro tentou tirar o caso do STF alegando fim do mandato, mas o Supremo já havia ampliado o alcance do foro privilegiado para ex-autoridades quando os fatos estão relacionados ao exercício do cargo.
Em março, Gonet já havia rebatido o argumento da defesa, citando a nova jurisprudência da Corte: “A tese fixada torna superada a alegação de incompetência trazida pelos denunciados”.
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Comentários (1)
Angelo Sanchez
12.04.2025 21:47Fica muito difícil defender-se de um crime que não cometeu, quem tem que provar é quem acusa, e provas não existem, só estórias e um documento que previa novas eleições em caso de fraude. Só existe uma verdade, Bolsonaro é um perseguido político, já que o STF é filhote do “descondenado”