Disputa por ‘vaga’ de Seif racha base bolsonarista em SC
Governador Jorginho Mello tem sido criticado internamente por negociar apoio do PSD uma vaga que sequer existe em Santa CAtarina
A possibilidade – ainda que distante – de abertura de uma vaga extemporânea no Senado em Santa Catarina colocou em polos opostos dois antigos aliados: o senador Jorge Seif (PL) e o governador do Estado, Jorginho Mello (PL).
A briga chegou aos ouvidos de Jair Bolsonaro, que passou a cogitar, inclusive, uma eventual candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado pelo estado catarinense como solução para o imbróglio e para afastar Jorginho da jogada.
Em abril do ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou o julgamento de uma ação que poderia resultar na cassação de mandato de Seif. Patriota, PSD e União Brasil tentam no TSE reverter decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), que indeferiu uma ação por abuso de poder econômico contra Seif. Esses partidos acusam o parlamentar catarinense de ter se beneficiado da frota aérea e da equipe de funcionários do empresário Luciano Hang, da rede de lojas Havan, em 2022.
A ação está há mais de um ano parada no TSE e não há prazo para que ela seja retomada. No ano passado, o relator do caso, ministro Floriano de Azevedo Marques, chegou a solicitar novas diligências sobre o caso, algo que nem mesmo os partidos solicitaram durante a instrução do processo.
No entanto, nas últimas duas semanas, conforme apurou este portal, emissários de Jorginho Mello procuraram interlocutores do ministro Alexandre de Moraes para pressionar pelo desfecho do caso de olho em uma eventual eleição suplementar em Santa Catarina. É importante lembrar que Moraes patrocinou a indicação de Floriano Marques ao TSE.
A relação Kassab x sucessão no Senado em SC
Ne semana passada, conforme apurou este portal, Jorginho teve uma reunião com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e articulou a promessa de indicação de Paulo Bornhausen, atual secretário de Articulação Internacional e Projetos Estratégicos, em uma eventual disputa suplementar ou mesmo para as eleições ao Senado de 2026 – caso a vaga não seja aberta até lá.
A aproximação de Jorginho teria dois objetivos: um, formalizar o apoio do PSD ao seu projeto de reeleição e esvaziar o movimento que vem sendo organizado pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), de olho em uma sucessão de Jorginho. Rodrigues é amigo de Bolsonaro e dentro do PL há quem nutra simpatia pelo prefeito catarinense. Rodrigues também é visto como um bom nome por outro integrante forte do PSD, o governador do Paraná, Ratinho Júnior. Júnior é apontado pelo próprio Kassab como um eventual presidenciável.
Essa aproximação incomodou outros nomes importantes do bolsonarismo no estado, como as deputadas federais Júlia Zanatta e Carol de Toni. Carol, inclusive, era vista até então como ‘plano A’ de Jair Bolsonaro na disputa pelo Senado em 2026.
Aliados de Seif, então, procuraram Jair Bolsonaro em nome de uma eventual intervenção do PL em Santa Catarina. A solução dada pelo ex-chefe de Poder Executivo foi sugerir o nome de Carlos Bolsonaro para 2026 ou mesmo para a eleição suplementar, caso ocorra o seguimento da ação no TSE. Contudo, há um impeditivo para Carlos participar de um eventual pleito complementar: ele precisa transferir seu domicílio eleitoral seis meses antes do pleito.
Procurado, o senador Jorge Seif não quis se manifestar. O governador Jorginho Mello também foi procurado, mas não se pronunciou até a publicação da reportagem. O espaço continua aberto.
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