Diretor da Quaest aponta abstenção como fator decisivo entre Lula e Flávio
Medo da volta dos Bolsonaro empata com receio da continuidade de Lula, indica nova pesquisa
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, analisou a pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 14, em que Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 46% das intenções de voto contra 42% de Lula (PT) no segundo turno.
O cenário configura empate técnico entre os dois candidatos, dentro da margem de erro.
“Na última pesquisa antes do 1º turno (03/10), Flávio já aparecia numericamente à frente de Lula (44 x 42), mas em empate técnico. De lá pra cá, os dois oscilaram positivamente. O que variou para baixo foi o % de eleitores que declaram que não vão votar ou que optariam pela opção branco/nulo
A pesquisa mostra um recall de voto de 1º turno muito próximo do que foi apurado nas urnas. Flávio com 35% entre o total de eleitores aptos a votar, Lula com 34%; Cury, Renan e Caiado com 2% cada um e 22% de branco/nulo/não foi votar”, diz Nunes.
Nunes afirma que o movimento de “voto útil” em Flávio já ocorreu e que, agora, Lula (PT) precisaria reduzir a abstenção para tentar reverter o cenário.
“Como tínhamos mostrado na pesquisa do dia 03/10, o resultado do 1º turno foi uma consequência de um ‘voto útil de direita’ muito forte. Eleitores abandonando Cury, Caiado, Renan e Zema, e optando pelo Flávio: 15% da amostra chegou a pensar em votar em um desses nomes antes do 1º turno. Do total de votos que Flávio teve no 1º turno, 7% foram definidos na última semana da eleição e 10% no domingo, dia da votação. Repare que 84% dos eleitores que votaram em Lula decidiram seu voto antes do começo da campanha.
Dos 7% de eleitores que acabaram votando em alternativas à polarização, a maior parte está optando por Flávio no 2º turno. A exceção é o eleitorado de Cury, que se divide. Mas o que está fazendo a diferença para essa disputa tão acirrada é o eleitor que disse que se absteve ou que votou branco/nulo no 1º turno. Desses, 43% dizem que vão votar no Lula e 38% no Flávio. Ou seja, reduzir a abstenção em relação ao 1º turno não é suficiente, mas é essencial para Lula.”
Medo entre os jovens
Nunes aponta que o medo da vitória de Lula era majoritário entre os jovens antes do primeiro turno, mas agora está empatado com o receio da volta da família Bolsonaro: 45% para cada lado.
“Um dos movimentos mais sensíveis nesse indicador aconteceu entre os jovens. Em 3 de outubro, o medo de Lula era majoritário nesse grupo. Agora, os jovens se dividem: 45% têm mais medo da volta da família Bolsonaro, enquanto outros 45% temem mais a continuidade de Lula no poder.
O que chama a atenção são as justificativas para esses receios. Quem tem medo de Lula cita corrupção, custo de vida e má administração. Já quem teme a volta de Bolsonaro menciona rejeição pessoal à família, a tentativa de golpe, a lembrança de um governo ruim e a possibilidade de encerramento de programas sociais. Nesse grupo, corrupção aparece apenas como o quinto tema mais mencionado.”
A aprovação
Segundo Nunes, a aprovação do governo Lula (PT) “despiorou” de 49% para 48%.
“Agora, 45% aprovam (antes eram 44%), enquanto 48% desaprovam (antes eram 49%) o governo do presidente Lula. Com saldo negativo, no entanto, é muito mais difícil para Lula conseguir fazer a virada.”
“É aí que as medidas podem fazer a diferença. Quem ficou sabendo aprova a proibição das bets, o fim da escala 6×1, o aumento do salário mínimo todo ano e zerar imposto da cesta básica. Flávio tem a seu favor a redução da maioridade penal, a classificação das facções criminosas como terroristas e o impeachment dos ministros do STF. O pacote para MEIs tem potencial positivo, mas ainda está pouco disseminado. A proposta de pagamento por hora divide opiniões. Mas a anistia para os condenados de 8/1, o fim da reeleição com mandato de 5 anos e a restrição no mandato dos ministros do STF aparecem mais desaprovadas.”
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)