Dino alerta para novas condenações por desvio de emendas
Parlamentares do PL foram os primeiros a serem condenados por corrupção passiva
O ministro Flávio Dino (foto), do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira, 17, que haverá outras condenações de deputados por corrupção com desvio de emendas parlamentares.
A afirmação foi feita durante o julgamento que levou à primeira condenação de parlamentares por corrupção por “venda” de emendas.
“Neste caso nós temos o primeiro julgamento criminal desta nova tecnologia. Infelizmente haverá outros porque nós temos a estas alturas dezenas de inquéritos e eventualmente ações penais em curso relativas a este mesmo tema ora tratado pela primeira vez pelo tribunal”, disse o presidente da Primeira Turma do STF.
Em seu voto, Dino alertou para os “verdadeiros atacadistas de emendas”.
“Nós temos uma rede de varejo que foi posta tradicionalmente no Brasil e se afirmaram figuras de vários estados, que saem todos, de autênticos atacadistas nessa rede em que emendas são compradas e vendidas”, afirmou.
Condenação inédita
A Primeira Turma condenou, por unanimidade, três deputados do PL (Partido Liberal) por corrupção passiva pelos desvios de emendas parlamentares. São eles: Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA) e o suplente Bosco Costa (PL-SE).
Os ministros, contudo, absolveram os parlamentares da acusação de organização criminosa.
Votaram pela condenação os ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
João Batista Magalhães, Antônio José Silva Rocha, Adones Nunes Martins e Abraão Nunes Martins Neto também foram condenados por corrupção passiva. Já Thalles Andrade Costa — que era acusado apenas de integrar organização criminosa, foi absolvido totalmente.
Voto de Zanin
Em seu voto, Zanin afirmou que existem provas robustas sobre a maneira com a qual o grupo teria solicitado propina de 25% sobre emendas parlamentares destinadas ao município de São José de Ribamar, no Maranhão.
A denúncia aponta que, em 2020, os parlamentares teriam solicitado o pagamento ao então prefeito do município, José Eudes, como condição para direcionar os recursos públicos. O prefeito confirmou ter sido vítima de cobranças e intimidações por parte dos parlamentares.
“Na verdade, aqui não se buscava provavelmente uma convergência política, mas, sim, como ficou demonstrado, o recebimento de vantagens indevidas como contrapartida à destinação de valores federais. E da mesma forma, o fato de um dos parlamentares ser de outro estado também não afasta aqui a alegação da PGR, porque na verdade ele não estava fazendo uma ação política, mas sim uma ação criminosa que buscava o recebimento de vantagens indevidas”, disse o ministro.
Zanin, contudo, disse que não há provas suficientes da prática de organização criminosa.
Denúncia da PGR
Na denúncia, a PGR pediu a condenação dos três deputados.
Segundo o órgão, os parlamentares cobraram propina como contrapartida para viabilizar a liberação de R$ 6,67 milhões em emendas parlamentares destinadas ao município de São José de Ribamar (MA).
A Procuradoria sustenta ainda que a organização criminosa seria liderada por Josimar Maranhãozinho, apontado como responsável pelo controle e pela distribuição das emendas parlamentares.
Esse papel de liderança, de acordo com a denúncia, aparece em diálogos entre os investigados e em documentos apreendidos ao longo da investigação, que indicariam a existência de um esquema voltado à comercialização de emendas.
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