Digimais repete práticas atribuídas ao Banco Master, diz PF
Investigação sobre o Digimais aponta suspeitas de manipulação contábil e aumenta pressão por eventual liquidação da instituição
A operação da Polícia Federal contra o Banco Digimais elevou a pressão sobre a instituição financeira controlada pelo grupo do bispo Edir Macedo e ampliou as especulações sobre uma possível intervenção mais dura do Banco Central.
Segundo informações da investigação, o BC já havia identificado irregularidades durante um processo de fiscalização interna e compartilhou elementos com a Polícia Federal, que passou a apurar a atuação de dirigentes da instituição. Entre as suspeitas estão manobras contábeis, descumprimento de medidas corretivas e práticas destinadas a mascarar a real situação patrimonial do banco.
O caso tem sido comparado ao do Banco Master, que entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025. De acordo com a PF, as duas instituições teriam adotado mecanismos semelhantes para inflar artificialmente ativos por meio da emissão de títulos com rentabilidades incompatíveis com os parâmetros de mercado.
Os investigadores suspeitam que houve manipulação de balanços para esconder a deterioração de carteiras de crédito e dificultar a identificação dos problemas pelos órgãos de controle.
As irregularidades teriam sido detectadas pelo Banco Central ainda em 2023. Em uma das medidas adotadas, a autoridade monetária determinou a reversão de ganhos registrados em fundos de investimento, exigindo que as cotas retornassem ao valor original de aquisição, estimado em 71 milhões de reais.
Apesar disso, o patrimônio registrado nesses ativos teria saltado para 741 milhões de reais após sucessivas transferências entre fundos.
Segundo a PF, diante do impacto da correção exigida pelo BC, o Digimais buscou parcelar os efeitos contábeis da medida ao longo de cinco anos. A investigação aponta ainda que o banco celebrou um contrato de venda das cotas para sua controladora pelo valor de 741 milhões de reais, com pagamento previsto apenas para 2032 e sem entrada imediata de recursos em caixa.
A operação reforça as dúvidas sobre a situação financeira da instituição e aumenta a expectativa sobre os próximos passos do Banco Central.
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