“Desistência de Ibaneis não encerra as perguntas”, diz ex-governador
Cristovam diz que "o caso do BRB precisa ser esclarecido com transparência e responsabilidade" apesar de Ibaneis não concorrer ao Senado
Os ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB, foto) anunciou na quarta-feira, 8, a desistência de disputar uma vaga no Senado neste ano.
Ele tinha deixado o cargo em março exatamente para poder concorrer nas eleições deste ano, mas disse agora que pretende cuidar da própria vida.
“Fiz a minha parte pela cidade que eu amo e que me deu tudo. Agora é hora de cuidar um pouco da minha vida. Vivi pandemia, cuidei de pessoas e agora preciso cuidar de mim”, comentou.
Um outro ex-governador do DF, Cristovam Buarque, destacou nesta quinta-feira, 9, que “a desistência de Ibaneis Rocha ao Senado não encerra as perguntas que o DF ainda espera ver respondidas”, aludindo ao escândalo do Banco Master, que quase foi vendido ao BRB antes de ser liquidado.
“O caso do BRB precisa ser esclarecido com transparência e responsabilidade. Não pode acabar em silêncio, nem ficar impune”, comentou Cristovam em seu perfil no X.
O escândalo e as investigações
O Governo do DF, principal acionista do BRB, tentou adquirir o Banco Master em operação que so não ocorreu porque foi vetada pelo Banco Central. O Master foi liquidado em novembro de 2024.
Segundo apuração da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, o BRB comprou aproximadamente 12 bilhões de reais em carteiras de crédito apontadas como fraudulentas.
Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou indícios de que o BRB agiu sem a devida cautela ao insistir na operação, mesmo depois de o Banco Central ter sinalizado irregularidades na cessão de carteiras de crédito entre as duas instituições.
O escritório de advocacia de Ibaneis teria recebido 85 milhões de reias em honorários de fundos vinculados ao Master e à Reag — empresas investigadas por suposta participação em esquema de fraudes financeiras articulado por Vorcaro.
Ibaneis também foi citado em mensagens extraídas do celular de Vorcaro.
Em um dos diálogos, o ex-banqueiro menciona, em conversa com a então noiva Martha Graeff, que os dois se reuniram para combinar “uma estratégia de guerra”.
O governador admitiu os encontros, mas negou ter discutido o assunto BRB-Master nessas ocasiões.
Leia mais: Ibaneis nega influência do Caso Master em desistência de pré-candidatura ao Senado
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