Deputado pede manifestação do STF sobre uso do nome de Dino em supostas ameaças no MA
Rocha afirmou ter recebido relatos de que o governador “deveria renunciar até o dia 4 de abril para disputar o Senado”
O deputado federal Hildo Rocha (MDB-MA) pediu na tribuna da Câmara que o Supremo Tribunal Federal (STF) se manifeste sobre o uso reiterado do nome do ministro Flávio Dino (foto) em episódios de supostas ameaças envolvendo parlamentares que integram o seu ex-grupo político.
“Senhores e senhoras deputadas, ‘lixo’ foi como se referiu o ministro Flávio Dino sobre o serviço de investigação feito pela Polícia Federal em relação aos crimes cometidos pelo Banco Master. É interessante que essa mesma Polícia Federal é utilizada como instrumento de intimidação por políticos que participaram do governo Flávio Dino”, declarou Rocha, na tribuna da Câmara.
“Um vereador de Colinas fez um vídeo, dizendo que estava sendo ameaçado por um deputado, amigo do ministro Flávio Dino. Esse deputado teria feito sérias ameaças sobre o uso da Polícia Federal no município de Colinas com o intuito de atingir a família do governador Carlos Brandão [sem partido]. A Polícia Federal faria uma operação em Colinas, a mando do Ministro Flávio Dino, para prejudicar parentes do governador Carlos Brandão”, denunciou o parlamentar.
O pronunciamento ocorre em meio a um cenário de tensão institucional que se arrasta no estado desde que Flávio Dino deixou a vida político-partidária para assumir uma cadeira no STF.
Na tribuna, Rocha afirmou ter recebido relatos de que o governador “deveria renunciar até o dia 4 de abril para disputar o Senado” e que, caso não o fizesse, “seria afastado após essa data”.
“Prefiro acreditar que o ministro Flávio Dino não saiba que estão usando o nome dele para fazer chantagem e ameaças políticas”, disse o deputado.
Desde então, um grupo que se autodenomina “dinista” — composto por Márcio Jerry (deputado federal e presidente estadual do PCdoB), Othelino Neto (deputado estadual), Carlos Lula (deputado estadual), Rodrigo Lago (deputado estadual) e o vice-governador Felipe Camarão — passou a judicializar disputas políticas locais no Supremo Tribunal Federal de olho na atuação do ministro maranhense.
Entre os episódios está a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Maranhão. Othelino tentou permanecer no comando da Casa após ter presidido o Legislativo durante o governo Dino. O atual governador, Carlos Brandão (sem partido), apoiou a deputada Iracema Vale (PSB), eleita presidente da Assembleia. O caso foi judicializado no STF.
Ainda no Estado, uma outra controvérsia envolve indicações para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), que mantém duas vagas abertas há quase dois anos por decisão monocrática do relator, Flávio Dino.
Áudios e prints
A tensão aumentou após a divulgação de áudios pelo deputado estadual Yglésio Moyses (PRTB) no ano passado, como mostrou este portal. Nos trechos tornados públicos, aparecem expressões como “resolver Colinas”, “zera tudo”, “libera o TCE” e “falei com o Flávio Dino”. O episódio foi relatado por O Antagonista.
Os áudios mencionam personagens politicamente próximos ao ministro, como Márcio Jerry, aliado histórico, além do deputado federal Rubens Júnior (PT-MA) e de Galdino, ex-assessor de Dino e atual secretário-executivo do Ministério do Esporte.
Em um dos trechos divulgados, há referência à possibilidade de “zerar tudo” e “liberar o TCE” caso houvesse avanço em acordo político envolvendo a eleição municipal.
Também vieram a público prints atribuídos ao desembargador Ney Bello com menções a supostos condicionamentos políticos relacionados à permanência de Brandão no cargo.
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