Deputado estadual acusa Dino de coagir parlamentares no MA
Yglésio afirma que o ministro do STF pressiona políticos maranhenses para enfraquecer o grupo de Carlos Brandão
O deputado estadual Yglésio Moyses (PRD-MA) acusou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, de supostamente usar a influência do cargo para pressionar e chantagear políticos com o objetivo de favorecer a pré-candidatura de Eduardo Braide (PSD) ao governo do Maranhão.
Em discurso na Assembleia Legislativa do Maranhão em 17 de junho, mas que viralizou nesta terça-feira, 7 de julho, o parlamentar afirmou que o ministro supostamente atuaria politicamente em apoio ao ex-prefeito de São Luís, em oposição à possível candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT).
O deputado, entretanto, não apresentou documentos ou outras evidências que corroborassem as acusações. O gabinete de Dino, inclusive, tem reforçado que o ministro não se envolve em questões políticas locais desde 2023.
Segundo Yglésio, o deputado federal André Fufuca (PP) teria rompido com o governador Carlos Brandão (MDB) para se alinhar ao projeto político de Braide.
“Não é normal que seja na base da chantagem. O que se repudia é o que Flávio Dino faz no estado do Maranhão: chantagear políticos, ameaçá-los para tentar alcançar o objetivo que ele tem, que é derrotar Brandão”, disse.
As declarações de Yglésio é outro episódio na disputa pela sucessão estadual após o rompimento político entre Dino e Brandão, antigos aliados.
A relação entre os dois remonta ao início da carreira eleitoral de Dino. Em 2006, Brandão e Dino foram eleitos deputados federais. Posteriormente, Brandão integrou a chapa de Dino como candidato a vice-governador e ocupou o cargo durante os dois mandatos do hoje ministro à frente do governo maranhense.
Com a ida de Dino para o Ministério da Justiça, em 2023, e posteriormente para o STF, Brandão assumiu protagonismo político próprio no Estado. Nos últimos anos, porém, divergências sobre indicações para cargos, condução política do governo e controle da base aliada provocaram o afastamento entre os dois grupos.
O rompimento também se refletiu na esfera judicial, com ações de aliados de Dino levadas ao STF envolvendo disputas políticas e administrativas no Estado.
Além de Eduardo Braide, são apontados como possíveis candidatos o vice-governador Felipe Camarão e um nome apoiado pelo governador Carlos Brandão, entre eles o secretário estadual Orleans Brandão, sobrinho do governador.
Nas declarações na Assembleia Legislativa, Yglésio afirmou que integrantes do grupo político ligado a Dino estariam atuando para impedir a vitória do candidato apoiado por Brandão.
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