Deputado chama aprovação da PEC do fim da escala 6×1 de “irresponsável”
Parlamentar criticou a rapidez da tramitação da proposta e afirmou que medida pode aumentar custos, informalidade e estimular a saída de empresas do Brasil
O deputado Luiz Lima (Novo-RJ) subiu à tribuna da Câmara nesta terça-feira, 2, para fazer duras críticas à aprovação da PEC que reduz a jornada de trabalho e altera a escala 6×1, aprovada na semana passada pelos deputados.
Segundo o parlamentar, a proposta foi votada de forma acelerada e sem a devida discussão sobre os impactos econômicos da mudança. Luiz Lima afirmou que a decisão pode agravar problemas já enfrentados pelo mercado de trabalho brasileiro, como a informalidade e a perda de competitividade.
“A gente tem uma votação irresponsável como a da semana passada”, declarou.
O deputado questionou se a redução da jornada será capaz de diminuir a informalidade, lembrando que cerca de metade dos trabalhadores brasileiros atua fora do mercado formal. Ele também argumentou que a medida pode provocar aumento de preços e dificuldades para a contratação de mão de obra especializada.
Durante o discurso, Lima comparou indicadores econômicos do Brasil com os de países como Paraguai e Estados Unidos para sustentar a tese de que o principal entrave ao poder de compra dos brasileiros não está na jornada de trabalho, mas na elevada carga tributária e no custo de vida.
O parlamentar afirmou ainda que empresas brasileiras estão migrando para o Paraguai em busca de um ambiente mais favorável aos negócios. Segundo ele, a aprovação da PEC tende a acelerar esse movimento.
“Quem está comemorando é o Paraguai. O Paraguai está recebendo inúmeras empresas do Brasil e que vão dar emprego para os paraguaios ou para brasileiros que estão atravessando a Ponte da Amizade”, disse.
Na mesma fala, o deputado também criticou o desempenho das universidades federais brasileiras em rankings internacionais. Para ele, a queda das instituições de ensino superior evidencia falhas nas políticas públicas voltadas à educação e à formação profissional.
Ao encerrar o pronunciamento, Luiz Lima afirmou que o Brasil precisa rever suas prioridades para evitar a deterioração de indicadores econômicos e sociais.
“Ou a gente muda o nosso país ou a gente vai cada vez mais se aproximar dos índices de insucesso de políticas como os países africanos”, declarou.
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