Deputada pede ao STF afastamento de Ednaldo Rodrigues
Daniela do Waguinho questionou veracidade de assinatura de Coronel Nunes em documento que ratificava eleição do presidente da CBF
A deputada Daniela Carneiro (União Brasil), também conhecida como “Daniela do Waguinho”, pediu na segunda, 5, ao Supremo Tribunal Federal (STF) o afastamento imediato de Ednaldo Rodrigues da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Na solicitação, a parlamentar também requer a revisão do acordo homologado pela Corte, em fevereiro deste ano, que havia encerrado uma ação questionando a lisura do processo eleitoral da entidade.
Segundo Daniela, há suspeitas quanto à veracidade da assinatura do ex-vice de Ednaldo e ex-presidente da CBF, Coronel Nunes, no documento que selou o acordo.
“Não foi realizada de forma livre e consciente e sob plenas faculdades mentais e recaem dúvidas razoáveis acerca da autenticidade da assinatura”, diz trecho do pedido.
Na petição apresentada pela deputada, há um laudo assinado pelo chefe do departamento médico da confederação, Jorge Pagura, no qual destaca que Nunes não tinha condições “físicas e cognitivas” para aceitar “qualquer condição que lhe fosse apresentada”.
Ednaldo foi reeleito neste ano para um novo mandato que durará até março de 2030.
Vai e volta
Em março de 2022, cinco dirigentes da CBF, entre os quais Nunes, assinaram um acordo que reconhecia a legalidade da eleição de Ednaldo.
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), contudo, anulou o acordo e retirou Ednaldo do cargo.
Em janeiro de 2024, o ministro Gilmar Mendes, do STF, concedeu uma liminar que devolveu Ednaldo Rodrigues à presidência da entidade.
O presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, marcou o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade para o dia 28 de maio.
Leia mais: “Moro rebate Gilmar: “Deveria explicar as relações dele com a CBF”
Gilmar Mendes e CBF
No mês passado, uma reportagem da revista piauí revelou a proximidade entre Gilmar Mendes, do STF, e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
A decisão de Gilmar beneficiou a CBF, que, em agosto de 2023, firmou um contrato com o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado pelo ministro e dirigido por seu filho, Francisco Schertel Mendes.
A parceria garante ao IDP a gestão da CBF Academy, braço educacional da confederação, com direito a 84% da receita dos cursos.
A atuação do ministro também coincidiu com a contratação, pela CBF, do advogado Pedro Trengrouse, que recebeu R$ 6,5 milhões para atuar na recondução de Ednaldo. Trengrouse passou a atuar em Brasília duas semanas após o pagamento.
O caso levantou questionamentos sobre conflito de interesses e a atuação de ministros do STF em temas que envolvem instituições privadas. A reportagem da piauí ainda menciona que Gilmar recebeu em sua casa o ex-jogador Ronaldo, que buscava apoio para uma futura participação na CBF. “Ele é ponta firme”, teria dito o ministro sobre Ednaldo.
Treinador e camisa vermelha
Desde a demissão de Dorival Júnior, a CBF ainda não definiu o próximo treinador.
Na última semana, a entidade encerrou as negociações com o técnico italiano Carlo Ancelotti.
Sem treinador, a Seleção Brasileira poderá ser convocada pelo diretor Rodrigo Caetano e o gerente Juan para os jogos de Eliminatórias da Copa do Mundo contra Equador e Paraguai.
No entanto, Caetano afirmou em programa do Sportv que haveria uma definição sobre o novo treinador até o fim deste semana.
Para piorar, a CBF precisou emitir um comunicado e desmentir rumores sobre um possível uniforme vermelho para a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026.
A entidade máxima do futebol brasileiro negou veementemente que as imagens de supostas camisas vermelhas que circularam nas redes sociais sejam oficiais.
A CBF esclareceu que nem ela, nem a Nike, fornecedora de material esportivo, divulgaram formalmente quaisquer detalhes sobre a nova linha de uniformes da Seleção.
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